As máquinas Caça-niqueis apreendidas em operações policiais viram microcomputadores para crianças e adolescentes |
Fabrício Escandiuzzi
Direto de Florianópolis
São Paulo
Chamado de Rede Piá, o projeto envolve 66 universidades em Santa Catarina e é pioneiro no Brasil. A idéia começou depois que a Unisul (Universidade do Sul do Estado de Santa Catarina) juntamente com o promotor público de Criciúma, Alex Sandro Teixeira da Cruz, e uma entidade ligada ao setor carbonífero começaram, no início do ano, a recuperar máquinas apreendidas e ofereceram jogos educativos que auxiliam na alfabetização e aprendizado da matemática e ciências.
A idéia fez sucesso e foi adotada pelo Ministério Público do estado, que assinou um Termo de Cooperação Técnica com 66 universidades. Pela parceria, estudantes do ensino superior trabalharão para transformar os caça-níqueis em equipamentos de informática, utilizando exclusivamente softwares livres.
De acordo com as informações do procurador-geral Gersino Gerson Gomes Neto, estima-se que 3 mil máquinas de jogos ilegais apreendidas sejam transformadas e entregues às crianças.
"Estaremos fortalecendo a fiscalização, combate à prática ilegal de jogos de azar e dando uma utilização nobre às máquinas apreendidas, que é a inclusão social e digital", diz Gomes Neto, destacando que os caça-níqueis eram triturados após os processos na justiça. "Vimos que havia computadores inteiros dentro das carcaças, alguns com processadores de última geração".
Segundo o Coordenador-Geral do Centro de Apoio Operacional da Infância e Juventude (CIJ), promotor Gilberto Polli, as máquinas serão transformadas em computadores e devolvidas para a comunidade da mesma cidade em que foram apreendidas.
O dono do caça-níquel apreendido ainda pode se livrar da denúncia criminal, pagando multa que será revertida na compra de acessórios para os equipamentos montados.
Redação Terra