Rio: curso superior de carnaval forma sua 1ª turma

21 de agosto de 2007 • 12h18 • atualizado às 17h49
A turma de 60 alunos é a primeira a se formar no Gestão de Eventos e Festas Carnavalescas, da universidade Estácio de Sá Foto: Valéria del Cueto/Especial para Terra
A turma de 60 alunos é a primeira a se formar no Gestão de Eventos e Festas Carnavalescas, da universidade Estácio de Sá
21 de agosto de 2007
Foto: Valéria del Cueto/Especial para Terra

Valéria del Cueto
Direto do Rio de Janeiro

Rio de Janeiro


Esta quinta, dia 22 de agosto, forma-se a primeira turma do curso de Gestão de Eventos e Festas Carnavalescas, da Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro. O curso, implementado em 2005, é um sonho antigo de seu diretor, Hiran Araújo, que também está à frente da Liga das Escolas de Samba (Liesa).

» Veja fotos dos formandos

"O curso está dividido em quatro partes" esclarece seu coordenador, o sociólogo e jornalista Bruno Filippo. "A parte de Humanas, englobando Sociologia, Antropologia e História do Carnaval; a de Artes Plásticas, abrangendo História da Arte, Figurino e Cenografia. O planejamento de desfiles e de eventos em seus detalhes é a terceira vertente. E terminamos com a parte de gestão administrativa, contábil e projetos".

A maioria dos alunos já era ligado ao carnaval, por amor ou profissionalmente. Como é o caso do professor de português Maurício de Paula, destaque da Mocidade Independente de Padre Miguel, Nelson Pestana e Thalita Pereira Passos, ritimistas da bateria da Grande Rio, e Tonho Duarte e Roberto Manhães, compositores da Estácio de Sá e da São Clemente. Isabel Caldas é artesã e desfila na Vila Isabel. "Sempre gostei de carnaval, o curso me colocou no meio que desejava conhecer", explica.

Além da paixão pela festa, que gera cerca R$ 1,5 bilhão ao Rio de Janeiro anualmente, os 60 alunos da primeira turma de gestores carnavalescos têm outra coisa em comum: durante os dois anos de duração do curso, eles formavam um grupo diferente no campus da universidade. Eles circulavam entre futuros engenheiros, matemáticos e profissionais de informática, a maioria saindo da juventude. Não havia como não reparar a turma mais velha e exótica.

Já no primeiro ano, por exemplo, a "tradição" de uma das turmas carnavalescas foi desestimulada pela direção da faculdade: ao final de cada dia de aula, a sala entoava um samba de enredo. A escolha era feita através de uma votação diária por questionários que circulavam entre os alunos. A prática durou todo o primeiro semestre, mas foi suspensa por atrapalhar as aulas nas salas vizinhas que, durante meses, tiveram o "privilégio" de escutar sambas antológicos do carnaval carioca.

Aprendizado na prática

Os conteúdos aprendidos em sala de aula foram imediatamente aplicados na prática. Benedito Monteiro Machado, funcionário administrativo de uma empresa de energia elétrica, é um dos organizadores dos bailes carnavalescos populares de Vila Valqueire, subúrbio do Rio. "O grupo do qual faço parte assumiu a realização dessas festas. Estamos nos profissionalizando, criando projetos para buscar patrocínio". Segundo ele o esforço se justifica: "os bailes contam com entre cinco e oito mil foliões por noite".

A pesquisa da história do carnaval é outra vertente que já rende frutos. Entre os formandos está a ourives Mariza Nobre, que acaba de lançar o livro Bicho Novo, Bailarino do Samba. Seu interesse pelo personagem começou com um trabalho do primeiro semestre. O professor e pesquisador Luiz Fernando Vieira incumbiu cada aluno de realizar uma pesquisa sobre uma personalidade do carnaval.

"Me vi pesquisadora", diz Mariza. Sobre os dois anos de estudo, ela afirma ter valido a pena. "Carnaval não é só folia, fantasia e desfile. É cultura popular brasileira. São várias oportunidades interligadas, inclusive a tão na moda responsabilidade social. Lidamos com comunidades", lembra ela.

Mercado promissor
Se o Rio de Janeiro é um mercado saturado, pelo menos no que diz respeito às doze escolas do Grupo Especial, o interior do País é um campo imenso a ser ocupado. A começar pelas cidades que já têm alguma tradição de carnaval. "Cabo Frio já criou sua sociedade do Samba", informa Milton Cunha. "Acho que o grande mercado de trabalho é fora do Rio. Não apenas no carnaval em si, mas, também, dando aulas em outras universidades em disciplinas relacionadas ao tema carnaval e sociedade, na área da antropologia e cultural", analisa o carnavalesco.

Em meio às comemorações, os formandos sabem que por um bom tempo ainda terão que aturar, apesar de já estarem acostumados, as piadinhas e o ar de descrédito que recebem sempre que inquiridos sobre a especialidade que escolheram. Declarar-se "gestor de carnaval" ainda vai causar estranheza nos meios acadêmicos e profissionais. Nada que as novas turmas que freqüentam o curso de Gestão de Eventos e Festas Carnavalescas e a Pós-Graduação Lato Sensu em Carnaval e Cultura, oferecida pela própria Universidade Estácio de Sá, não possam mudar.

Redação Terra
 
Enviar para amigos
Fechar por:
Enviar para amigos
Fechar por:

Imprimir

Fechar
Mais vistos

Notícias

  1. Carregando...
leia mais notícias »