SP: rede pública ganha programa para superdotados

05 de agosto de 2007 • 18h03 • atualizado em 12 de outubro de 2007 às 13h42
O mundo dos livros e das artes são os preferidos de Maiara Bianca de Souza Pires Foto: Marcelo Pedroso/Especial para Terra
O mundo dos livros e das artes são os preferidos de Maiara Bianca de Souza Pires
05 de agosto de 2007
Foto: Marcelo Pedroso/Especial para Terra

Marcelo Pedroso
Direto de São José dos Campos

São Paulo


Faro e método para a percepção de talentos, atividades extra-classe complementares e uma boa dose de voluntariado compõem a equação do Programa Decolar, desenvolvido pela Rede Municipal de Ensino de São José dos Campos (SP). O foco são os jovens acima da média, aqueles considerados "superdotados" ou talentosos, termo preferido pelos professores e orientadores educacionais do programa.

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A referência pedagógica vem de Minas Gerais, do Centro para Desenvolvimento do Potencial e Talento (Cedet), em Lavras, organizada em três áreas do conhecimento: ciência, comunicação e criatividade.

Ao invés do talento acadêmico e dos limites lógicos dos tradicionais testes de QI (Quociente de Inteligência), o projeto explora e estimula as habilidades naturais destacadas nos meninos e meninas selecionados, em sua maioria, de famílias de baixa renda, cujas idades vão dos 9 aos 11 anos.

Matemática, geografia, ciências naturais, astronomia, canto, desenho e até a arqueologia são uma pequena mostra do potencial de habilidades identificado em um universo de 208 alunos da rede pública. Para se chegar a este primeiro grupo, a "peneira" começou com mais de 1,9 mil crianças do Ensino Fundamental. Técnicas de observação direta e assistida compuseram a triagem, iniciada no ano passado.

Decolagem
No bairro Dom Pedro I, o programa já 'decolou' no final de julho, com 80 alunos das regiões sul e oeste. Em setembro sai o núcleo da região leste, que também atenderá a região central e o norte de São José, somando 128 crianças.

"As atividades acontecem duas vezes por semana, com uma hora e meia para cada oficina. Cada aluno pode escolher até três oficinas. A própria criança, com o apoio do professor facilitador, faz seu plano por semestre e uma espécie de contrato de trabalho", disse a coordenadora do Decolar, Vera Carvalho.

Vera valoriza o projeto pela possibilidade de um novo olhar para essas crianças, cujo comportamento em sala de aula muitas vezes sugeria hiperatividade, por exemplo.

"Um aluno com problemas de falta foi apontado como talentoso. Não estamos priorizando o lado acadêmico. É um investimento educacional e social. Com esse projeto, evitamos o desvio desses talentos, inclusive, para a marginalidade."

Segundo Vera, após identificados os rumos de interesse dos alunos, a próxima fase é da busca de profissionais voluntários, cujas áreas agregam os talentos a serem lapidados e que estejam dispostos a se tornarem mentores. "Estamos buscando voluntários na cidade. Já temos professores do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), desenhistas, uma pessoa com conhecimento de astronomia e outros interessados."

Empolgação
As crianças vivem um momento de empolgação pela abertura de possibilidades, processo partilhado pelos pais. "Estou um pouco assustada. Meu filho sempre foi um menino diferente dos outros, quieto. Quando ganhava um brinquedo, brincava com a caixa. Ele adora contar dinheiro e mexer com a calculadora", disse Ivanete dos Santos, 30 anos, mãe de Gabriel Felipe Santos, 10 anos. "Gosto de futebol, mas também gosto de contas e de resolver problemas", disse Gabriel.

Os interesses de Gabriel são semelhantes aos de Leonardo Dias Marinho, 10 anos. "Gosto de matemática, de andar de skate e ginástica." O mundo dos livros e das artes é o preferido de Maiara Bianca de Souza Pires, 10 anos. "Gosto de ler livros, de matemática, geografia. Faço flores de garrafa (PET) e também gosto de argila", disse a menina. "Ela aprende as coisas muito facilmente. É cheia de regras e de rotinas, tem necessidade de fazer as coisas", disse a mãe de Maiara, Elaine Cristina de Souza Vieira, 28 anos.

Lígia Mércia Fernandes Milério, 41 anos, avalia que o projeto permitirá canalizar o potencial de sua filha, Elizabeth Milério Alves, 10 anos. A menina divide suas preferências entre tocar bateria e o amor por animais. "Gosto de música e gosto de animais. Já faço curso de bateria", disse Elizabeth. "A Elizabeth apresentava ser hiperativa. Ela é espontânea, comunicativa e sempre apresentou um interesse pela música. O meu sofá foi primeiro, depois foram as panelas", disse Lígia.

Seleção
Em outubro, começa um novo período de observação nas escolas municipais de São José dos Campos. A participação no projeto é gratuita, apenas com o compromisso dos pais de viabilizar o deslocamento das crianças até a sede e, por vezes, ao local de trabalho dos mentores. Mais informações pelo site www.sjc.sp.gov.br ou pelo telefone (12) 3901-2004.

Redação Terra
 
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