O material faz parte da lista do Programa Nacional do Livro Didático, enviada pelo MEC às escolas públicas para que elas escolham os livros que desejam adotar no ano seguinte e os recebem gratuitamente. A obras questionada destina-se a turmas da 6º série do Ensino Fundamental.
Segundo a Secretaria Municipal de Educação, os professores alegam que, em um dos capítulos, o livro apresenta um mapa do Rio de Janeiro com a indicação de qual facção criminosa comanda cada uma das favelas cariocas.
"Esse livro não pode ser adotado. Trata-se de um livro antipedagógico, é uma agressão ao povo do Rio e não condiz com o que nós queremos, que é clareza na tarefa ensino-aprendizagem", justifica o professor Arnaldo Niskier - que foi ministro da Educação e secretário estadual de Educação.
Para a coordenadora do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), Maria Beatriz Rios, o assunto é delicado, mas merece uma abordagem séria e responsável em sala de aula.
"Não tem como esconder essa realidade do tráfico dos alunos. Eles vêem isso o tempo todo na televisão e nos jornais. Muitos deles até convivem com essa realidade nas comunidades onde vivem. Temos que ver apenas a maneira como tudo isso será abordado em sala de aula".
Segundo ela, o sindicato ainda não se reuniu para analisar a questão, mas os profissionais da educação estão se mobilizando para avaliar que medida pode ser tomada.
O Ministério da Educação informou que não vai se pronunciar sobre o caso. A assessoria de imprensa do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), responsável pela compra e pela distribuição dos livros, explicou como é feita a seleção dos títulos.
Editoras de todo o país inscrevem suas obras em um cadastro no FNDE, que encaminha a lista geral para a Secretária de Ensino Básico, também do MEC. Essa secretaria seleciona uma equipe de professores ligados a universidades, especialistas em cada disciplina para avaliar os livros. Ao final, eles decidem a lista definitiva a ser encaminhada às escolas públicas.
O ex-ministro critica os métodos de escolha do material didático. "É preciso haver maior transparência nos métodos de escolha pelo MEC. Esses livros são escolhidos de maneira misteriosa, e isso é um problema grave. Ninguém conhece os critérios de avaliação, quem são os avaliadores, por que um deve e outro não deve ser aprovado".
Agência Brasil