Professores dizem que não foram ouvidos sobre PDE

21 de junho de 2007 • 20h52 • atualizado em 22 de junho de 2007 às 10h10

O governo federal não ouviu a opinião dos professores da rede pública ao formular o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). A reclamação surgiu nesta quinta-feira, durante o encerramento do seminário Perspectivas para a educação brasileira: um olhar atento ao PDE, promovido pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

Os maiores interessados nas mudanças do sistema de educação, que são os profissionais, não foram ouvidos, segundo a presidente da CNTE, Juçara Dutra Vieira. "Até o mês passado, foram realizadas 22 conferências promovidas pelo governo Lula. Conferência sobre a saúde, o meio ambiente, as cidades, conferência de gênero, de raça, de tecnologias e menos da educação. Por que, para gestar o PDE, a conferência não foi utilizada como instrumento?", questiona Juçara.

Além de criticarem a falta de diálogo para formulação do plano, a categoria pede a inclusão do plano de carreira. Segundo a presidente, essa é uma reivindicação antiga. O CNTE quer que seja incluído no plano a formação profissional de professores, a diminuição da jornada de trabalho e o aumento do piso salarial para a categoria.

A presidente da CNTE também aponta falhas no sistema de avaliação proposto no PDE. Ela considera que a avaliação da qualidade de ensino em Estados e municípios considera apenas as notas de alunos. A sindicalista considera que a avaliação deveria verificar se existem ou não conselhos estaduais de educação e se a gestão das escolas é democrática ou não. Segundo ela, esses fatores ajudam na melhoria do ensino.

A sindicalista critica o fato de a avaliação de alunos ser feita apenas com provas de Português e Matemática. Segundo ela, deveriam ser levados em consideração outros fatores, como o desenvolvimento individual do aluno. "O governo precisa mudar a forma como se faz avaliação agregando qualidade", completa.

Em abril, quando o PDE foi lançado oficialmente, o Ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou, em entrevista concedida a emissoras de rádio, no estúdio da Nacional AM, que, antes de ser lançado oficialmente, o PDE passou por um período de 30 dias para o recebimento de sugestões e críticas. Mais de mil propostas foram apresentadas, segundo o ministro.

"Eu não tenho notícia de uma instituição, de uma entidade que tenha tido dificuldade em se comunicar com o Ministério da Educação nesse período. Foi feito um pré-lançamento há cerca de 30 dias no Palácio do Planalto, e nós abrimos esse canal de comunicação, todos foram ouvidos, obviamente algumas sugestões foram incorporadas, outras não, mas todas tiveram a oportunidade de remeter as suas sugestões", disse ele.

Agência Brasil
 
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