Pesquisa: escolas do Rio estão abaixo da média

09 de junho de 2007 • 21h09 • atualizado às 21h11

Levantamento realizado nas 25 escolas estaduais onde a situação é mais grave o déficit de professores no Rio de Janeiro (São Gonçalo, Niterói, Nova Iguaçu, Belford Roxo e Duque de Caxias) revela que 77,5% delas apresentaram pontuações abaixo da média nacional, numa escala que varia de 125 a 375 no Prova Brasil. A prova é uma avaliação de desempenho feita pelo Ministério da Educação (MEC).

» Leia mais notícias do jornal O Dia

Oitenta por cento das turmas de 4ª e 8ª séries apresentaram no exame nacional índice de distorção idade-série superior à média brasileira. É o caso do Ciep 410 - Patrícia Galvão 'Pagu', em São Gonçalo, onde 73,6% dos alunos da 8ª série estão atrasados. Os resultados mostram que os mais baixos desempenhos obtidos por estudantes dessas turmas correspondem ao conhecimento de classes de 4ª série do Ensino Fundamental.

Para Lígia Elliot, especialista em avaliação educacional da Fundação Cesgranrio, que coordenou o Prova Brasil, isso ocorre porque os alunos estão avançando as séries levando junto uma série de deficiências, provocada, entre outros fatores, pela falta de professores. "A impressão que se tem é que esses estudantes esquecem o que aprendem ou não usam o conhecimento", pondera.

Segundo ela, atualmente, as avaliações do Saeb e do Prova Brasil têm procurado relacionar as questões com situações do cotidiano das crianças, para verificar o nível de conhecimento. "No dia-a-dia, elas sabem fazer contas, trocar figurinhas. Mas, quando tentam ler as questões na prova, não conseguem interpretar, pois não entendem o português", diz Lígia Elliot.

Cieps têm situação mais grave
Turmas inteiras de 1ª a 4ª séries continuam em casa. Das 25 escolas estaduais, a situação é mais grave em 16 Cieps, como os de Belford Roxo: Ministro Salgado Filho, Edival Gueiros Vidal, Ernesto Guevara, Galileu Galilei e Grande Othelo, onde há 84 turmas sem aula. Em São Gonçalo, 21 turmas do Ciep 239 ¿ Elza Viana Fialho também aguardam o início das aulas.

Em Caxias, as cinco escolas mais afetadas pela crise são: Escola João XXIII, Ciep Professor Sylvio Gnecco de Carvalho, Colégio Padre Anchieta, Colégio Abdala Chama, Escola Parada Angélica. Em São Gonçalo, a crise atinge alunos dos Cieps Patrícia Galvão e Alaíde de Figueiredo Santos e Trasilbo Filgueiras e Escola Raldo Bonifácio Costa.

Em Niterói, os mais afetados são os dos Cieps Rui Frazão Soares, Esther Botelho Orestes e Dona Maria Portugal e das escolas Noronha Santos e Vila Costa Monteiro. Em N. Iguaçu, a crise atinge os Cieps Benedito Laranjeiras, Brigadeiro Teixeira, Senador Severo Gomes, Jardim Paraíso e Prefeito Juarez Antunes.

Professores fora da função
Professores desviados de função, cedidos a outros órgãos do governo, aposentados ou de licença médica. No total, 18.145 docentes não estão lecionando pelos motivos descritos acima. De acordo com cálculos do matemático Ruben Klein, da Fundação Cesgranrio, essa evasão de mestres representa menos 26% de profissionais em sala de aula. "O dinheiro da educação está mal gasto. Professor existe, mas eles estão fora da função", diz o especialista em avaliação educacional.

Conforme O DIA anunciou que serão contratados pela Secretaria de Educação mais 1.250 professores para turmas de 1ª a 4ª séries do Ensino Fundamental. Enquanto eles não chegam, algumas escolas continuam improvisando soluções. Segundo Soneli Antunes, da direção do Sepe, professores contratados por 40 horas estão assumindo duas turmas, com 20 horas cada. "Essa medida é irregular. Por contrato, ele só pode ter uma turma. Estão maquiando a falta de professor", afirma.

Preocupação com futuro dos filhos
Pais de alunos do Ciep Brigadeiro Teixeira, em Nova Iguaçu ¿ um dos mais problemáticos na avaliação do Prova Brasil ¿, estão preocupados com a qualidade do ensino na rede estadual e temem que, no futuro, os filhos percam oportunidades. A dona-de-casa Ciça Beatriz Vargas Ferreira acredita que a qualidade do ensino estadual piora a cada ano.

"Do jeito que está, meus filhos serão prejudicados no futuro porque não terão condições de fazer concurso público ou passar no vestibular", afirma Ciça. Para amenizar um pouco o problema, ela conta que procura estudar em casa com os filhos, Matheus, 11, que está na 5ª série, e Maria Clara, 9, da 4ª.

O pintor de automóveis Ubirajara Belo dos Santos, cujos filhos, Leonardo, 10, da 4ª, e Letícia, 8, da 2ª, estudam no Ciep Brigadeiro Teixeira, crê que a qualidade do ensino no estado já foi melhor. "Comparo o que estudei com eles e vejo que estão atrasados. O que aprendi na 2ª série, meu filho vai ver na 4ª", compara. Para Ubirajara, as crianças terão que se esforçar muito.

O Dia - © Copyright Editora O Dia S.A. - Para reprodução deste conteúdo, contate a Agência O Dia.
 
Enviar para amigos
Fechar por:
Enviar para amigos
Fechar por:

Imprimir

Fechar
Mais vistos

Notícias

  1. Carregando...
leia mais notícias »