Zumbi nasceu e morreu livre há 312 anos

07 de outubro de 2007 • 10h44 • atualizado às 15h46
O líder negro Zumbi em um de seus retratos mais conhecidos; ele morreu aos 40 anos após liderar o maior quilombo do País Foto: Reprodução
O líder negro Zumbi em um de seus retratos mais conhecidos; ele morreu aos 40 anos após liderar o maior quilombo do País
05 de outubro de 2007
Foto: Reprodução

Feriado em algumas capitais como Rio de Janeiro em São Paulo, celebra-se no próximo 20 de novembro o dia da Consciência Negra. A data foi escolhida em 1995 por ocasião dos 300 anos na morte de Zumbi dos Palmares, líder quilombola morto por bandeirantes e tido como mártir dos abolicionistas. Por mais que sua imagem esteja diretamente associada ao Quilombo dos Palmares, Zumbi não participou da fundação comunidade auto-sustentável formada por escravos fugidos dos canaviais brasileiros.

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A palavra quilombo tem origem nos termos "kilombo" ou "ochilombo", da língua falada ainda hoje por diversos povos Bantos que habitam a região de Angola. Originalmente, a palavra designava apenas um acampamento utilizado por populações nômades ou em deslocamento.

Os quilombos eram povoados de resistência e seguiam os moldes organizacionais da república. Entretanto, alguns historiadores defendem que muitos quilombos, inclusive o de Palmares apresentava uma certa hierarquia monárquica, semelhante ao modelo tribal de muitos povos africanos.

O quilombo dos Palmares localizava-se na Serra da Barriga, no Estado de Alagoas. Estima-se que tenha sido fundado 1580, por escravos fugitivos de engenhos das Capitanias de Pernambuco e da Bahia. Formado por inúmeras vilas ou mocambos - espécies de cidades cercadas, como as da idade média - o quilombo dos Palmares chegou a ter cerca de 20 mil habitantes.

Zumbi nasceu em um dos mocambos de Palmares em 1655. Ele era neto de Aqualtune, princesa congolesa que foi vendida como escrava. Aos seis anos de idade, Zumbi sobreviveu a um ataque ao quilombo. Sua vida foi poupada e entregue padre jesuíta português António Melo. Rebatizado "Francisco", Zumbi recebeu os sacramentos, aprendeu português e latim.

Mas, menos de 10 anos depois, Zumbi fugiu e voltou a Palmares. Aos poucos ele se tornou conhecido pela sua destreza e astúcia na luta e já era um estrategista militar respeitável quando chegou aos 20 anos. Foi nessa época, em 1678, que o então governador da Capitania de Pernambuco ofereceu um acordo a Ganga Zumba, tio de Zumbi e líder dos Palmares.

Pela proposta do governador, liberdade de todos os escravos fugidos estava garantida se o quilombo se submetesse à autoridade da Coroa Portuguesa. Ganga Zumba aceitou a proposta, mas Zumbi não, e desafiou a autoridade do tio. Prometendo manter a luta à Coroa, Zumbi tornou-se o novo líder dos quilombolas. Uma outra corrente de historiadores defende que a passagem de comando deu-se de forma natural já que em muitas tribos africanas, a sucessão era de tio para sobrinho e não de pai para filho.

Zumbi manteve-se líder de Palmares por 15 anos. Até que em 6 de fevereiro de 1694, a capital de Palmares, o mocambo do Macaco, foi destruída pelo grupo liderado pelo bandeirante paulista Domingos Jorge Velho. Um ano antes, o bandeirante assinara um acordo com o governador de Pernambuco, o Marquês de Montebelo, as condições para a invasão e destruição do quilombo.

No ataque, Zumbi foi ferido, mas conseguiu refugiar-se nas matas. Pouco se sabe sobre os quase dois anos que Zumbi passou refugiado. Estima-se que, em companhia de outros negros, tenha tentado erguer um novo quilombo, como o de Palmares, mas sem sucesso.

Até que em 20 de novembro de 1695, após ter sido supostamente por Antônio Soares, um antigo colaborador, Zumbi foi encurralado e morto pelo capitão Furtado de Mendonça em seu esconderijo, provavelmente localizado na Serra Dois Irmãos, onde hoje é o Ceará.

Zumbi teve sua cabeça cortada e entregue ao governador de Pernambuco, Caetano de Melo e Castro, que ordenou que fosse colocada em praça pública. Com a medida, Castro esperava acabar com a crença de alguns negros sobre a imortalidade de Zumbi. O ato também apaziguaria os ânimos dos fazendeiros que cobravam ações da Coroa contra a fuga de escravos.

Em março do ano seguinte, o mesmo Castro comentou o fato com o Rei em uma carta. "Determinei que pusessem sua cabeça em um poste no lugar mais público desta praça, para satisfazer os ofendidos e justamente queixosos e atemorizar os negros que supersticiosamente julgavam Zumbi um imortal, para que entendessem que esta empresa acabava de todo com os Palmares."

Apesar das tentativas da Coroa Portuguesa, a figura de Zumbi continuou cercada de misticismo e bravura, e ainda hoje é cultuada.

Redação Terra
 
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