Intel alerta para falta de talentos: escola só ensina para vestibular

29 nov 2012
15h04
atualizado às 17h39
Angela Chagas
Direto de Porto Alegre

Uma das causas da dificuldade em se encontrar talentos para trabalhar com a tecnologia no Brasil está no modelo de ensino adotado no País. Essa é a visão da diretora de responsabilidade social da Intel para a América Latina, Rosângela Melatto, que participou nesta quinta-feira de uma conferência sobre os desafios da educação, em Porto Alegre (RS). Segundo ela, as escolas só ensinam para passar no vestibular.

"As carreiras técnicas vão exigir, dentro das competências do ensino fundamental e médio, muito conhecimento de matemática, física e química, justamente as matérias que estão cada vez mais esquecidas pelo ensino público e até mesmo pelo privado. Hoje se aprende apenas o suficiente para passar de ano, para ser aprovado no vestibular, mas não se aprende para se apaixonar. O professor não ensina com experimentos, apenas decorando fórmulas, e tudo isso é muito chato", disse a executiva em entrevista ao Terra.

Rosângela defende a capacitação dos educadores para lidar com as novas tecnologias como uma forma de deixar as aulas mais atrativas. "Com essa juventude do século 21 olhando para coisas que são mais experimentais, o que acontece quando você vai lá ensinar matemática física e química do jeito tradicional? Ninguém se interessa. Os professores precisam usar uma metodologia de ensino que seja mais atraente, e isso passa pelas tecnologias", defende.

Para a executiva, quem faz a "mágica" do aprendizado é o professor, e não a tecnologia. Mas para isso ela argumenta que o educador precisa saber lidar com as novas tecnologias. "O aluno 'dá um Google' e aparecem várias respostas. Aí entra o professor para mostrar quais são as corretas. Esse professor vai estar mais preparado para ensinar de forma divertida".

Ela ainda falou sobre a dificuldade enfrentada pela Intel para encontrar profissionais capacitados no Brasil, principalmente entre as mulheres. "Muitas famílias quando têm a oportunidade de educar alguém, mandar para a universidade, escolhem o filho homem. A mulher nesse aspecto ainda é preterida da própria educação. Criou-se também um tabu que mulher não é boa para a carreira da tecnologia, não é boa para a matemática. Mulher pode ser professora, pedagoga, mas não uma engenheira", afirma.

A executiva, formada em engenharia química, disse que mudar esse preconceito com as mulheres requer uma ação coletiva, que envolva as empresas, os governos e principalmente as escolas. "Na escola acho que o importante é não preterir as meninas de estarem gostando de matemática, por exemplo. É muito normal achar que menino deve gostar de matemática, mas menina não. Esses tabus precisam acabar".

Rosângela Melatto palestrou nesta tarde para mais de 1 mil estudantes e professores reunidos no centro de eventos da Fiergs, em Porto Alegre, durante a segunda edição do TEDx Unisinos, uma conferência promovida pela Universidade do Vale do Sinos (Unisinos) para discutir ideias para melhorar a educação.

A executiva da Intel destacou a dificuldade de se encontrar talentos na área de tecnologia, principalmente entre as mulheres
A executiva da Intel destacou a dificuldade de se encontrar talentos na área de tecnologia, principalmente entre as mulheres
Foto: Vanessa Silva / Divulgação
Fonte: Terra

compartilhe

publicidade