Educação

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10 de outubro de 2012 • 19h53

Inep defende avaliação censitária do ensino médio

O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Luiz Cláudio Costa, defende que o ensino médio seja submetido a uma avaliação censitária, e não por amostra como ocorre atualmente com a Prova Brasil. O Ministério da Educação (MEC) estuda trocar a Prova Brasil pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para calcular o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do ensino médio.

"A avaliação de o ensino médio migrar para o censitário é praticamente consensual (dentro do MEC), o outro (estudo) ainda em debate é o da matriz, da migração do Saeb/Prova Brasil para o Enem, esse está demandando mais estudos", disse Costa a jornalistas nesta quarta-feira, depois de participar de um seminário sobre qualidade do ensino médio.

A evolução do Ideb no ensino médio foi tímida - passou de 3,6 (2009) para 3,7 (2011). Considerando apenas a rede estadual, o indicador ficou estagnado em 3,4, sendo que no Distrito Federal e em nove Estados houve queda. O governo nega que uma possível substituição da Prova Brasil pelo Enem na avaliação do ensino médio tenha como objetivo "maquiar" os números.

"Os resultados (da avaliação por amostra) são válidos, não há problema em trabalhar com a amostra, mas você envolve mais a sociedade, a escola, os professores quando você trabalha com a (avaliação) censitária, esses são resultados preliminares que ainda serão avaliados", afirmou Costa.

O presidente do Inep pretende discutir o tema com secretários de Educação estaduais antes de qualquer definição. Uma das preocupações é não perder a série histórica projetada para os próximos anos - a meta do Ideb para 2021 é 5,2.

Durante uma das mesas do debate, Costa considerou "muito interessante" a proposta de usar o Enem como indicador de avaliação do ensino médio. "É possível numa mesma prova avaliarmos o estudante e a escola? Estamos fazendo um estudo profundo, a princípio, é muito interessante."

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, destacou a articulação entre disciplinas e a distribuição de tablets com projetor digital para professores como forma de tornar o ensino médio mais atraente para os estudantes. Segundo o ministro, o governo também discute com as operadoras a melhora no serviço de banda larga para as escolas. "Quando se olha o Ideb, estamos estabilizados, estabilidade em educação em um País como o Brasil é retrocesso, temos problema e não tem como deixar de encarar isso com coragem", disse Mercadante. "É formando bons professores que vamos melhorar a qualidade da educação."

Para o ex-presidente do Inep João Batista Gomes, não se resolve um problema dessa natureza em menos de 20 anos. "Tem de ter continuidade das políticas. Hoje, o ensino médio é ineficiente, ineficaz, não dá pra resolvê-lo com uma geração", declarou.

Agência Estado