Ideb: Santa Catarina supera metas e lidera entre os Estados

14 ago 2012
17h18
atualizado às 21h35
Fabrício Escandiuzzi
Direto de Florianópolis

O Estado de Santa Catarina superou as metas previstas no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) para o ano de 2011 sendo um dos destaques nacionais no ensino médio e nas séries finais do ensino fundamental. Os catarinenses mantiveram a liderança do "ranking nacional" com média 4,9 nas avaliações entre alunos de 5ª a 8ª séries. Antes, o Estado dividia a primeira posição com São Paulo, que este ano obteve índice 4,7.

Na avaliação do ensino médio, Santa Catarina também passou a ocupar a liderança, com 4,3. No Ideb 2009, o estado do Paraná era o que contava com o melhor índice. Em relação aos anos iniciais do ensino fundamental, que corresponde de 1ª a 4ª séries, os catarinenses conseguiram importante avanço. O estado aparecia atrás de São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal e Paraná. No Ideb 2011, divulgado hoje, Santa Catarina aparece com 5,8 em sua avaliação, atrás apenas dos mineiros, que obtiveram 5,9.

Ensino fundamental com 9 anos
O secretário estadual da Educação, Eduardo Deschamps, avaliou que Santa Catarina conseguiu superar as metas propostas nos três quesitos avaliados devido à continuidade das políticas públicas adotadas nos últimos anos. A meta para os primeiros anos do ensino fundamental era de 5,5, dos últimos anos, 4,7 e no ensino médio, 4,1. De acordo com ele, a elevação da titulação dos professores e a adoção de práticas inovadoras nos últimos anos auxiliou o bom desempenho.

"No ensino fundamental ampliamos para 9 anos e o foco é a aprendizagem, e não a reprovação. Já no ensino médio, a adoção do ensino em período integral e a elevação da titulação dos professores foram cruciais para a conquista dessas metas", afirmou. "Mas essa é um resultado de uma política de longo prazo, que vem sendo aplicada nos últimos cinco anos".

Deschamps disse que 92% dos professores do Estado possuem graduação e mais de 60% deles são pós-graduados. "Manter o profissional com qualificação e motivado é um dos principais fatores", disse.

O secretário destacou ainda que a medição realizada periodicamente através do Ideb serviria como bússola para nortear ações nos próximos dez anos. Mesmo com bons índices, ele revelou que o País ainda se encontra em nível inferior se comparado com dados internacionais. "Essas avaliações servem como uma bússola e ajudam a definir novas políticas no futuro. A criação de redes, valorização de professores podem fazer com que no futuro possamos chegar ao mesmo patamar mundial", disse.

Greve de 62 dias
Apesar dos índices expressivos no Ideb 2011, a rede estadual de ensino do Estado enfrentou uma prolongada greve no ano passado. Os professores paralisaram as atividades por 62 dias (entre 17 de maio e 18 de julho) na mais longa greve da história da categoria no Estado, que ia exigia o pagamento do piso nacional do magistério e o reajuste de 22,22% de forma igualitária. Em 2012, uma nova paralisação durou 16 dias.

No total, o Estado conta com 65,8 mil professores, sendo 22 mil são efetivos, 19,8 mil ACTs e outros 24 mil aposentados. Santa Catarina conta com 1.112 unidades escolares e cerca de 640 mil estudantes.

A situação ainda é considerada "delicada" entre professores e governo. Uma assembleia da categoria está agendada para esta quarta-feira (15) e não são descartadas novas paralisações. "Cobramos compromissos como a descompactação da tabela salarial e o pagamento do Piso do Magistério. Esgotamos as tentativas e o governo não cumpriu o acordo, não apresentou uma proposta sequer", afirma Aldoir José Kraemer, secretário do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (SINTE-SC). "Retornamos ao trabalho e estamos a espera que o governo de Santa Catarina nos traga elementos concretos para discutirmos com os professores".

A paralisação de 62 dias fez com que a reposição de aulas avançasse até o final de dezembro de 2011. Para Kraemer, o bom índice no Ideb se deve à "dedicação" e trabalhos de capacitação realizados com os profissionais do magistério.

"Temos obtido avanços no desempenho dos últimos anos e isso mostra o comprometimento e a dedicação com que os nossos professores encaram a profissão. Foram realizados investimentos em capacitação e isso se reflete nos resultados", afirma. "Apesar disso, não há reciprocidade por parte do governo em valorizar esses professores".

O secretário reconheceu as dificuldades de negociação e minimizou os supostos efeitos da greve no desempenho do estado. "Lógico que pode ter ocorrido uma interferência, mas acredito que esse índice conquistado é fruto de uma política continuada".

Fonte: Especial para Terra

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