Ideb 2011: Colégio de Aplicação da UFPE tem nota mais alta

14 ago 2012
19h04
Celso Calheiros
Direto de Recife

O destaque no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) como melhor colégio do ensino fundamental/anos finais em Pernambuco foi uma escola pública, o Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O resultado repete o último levantamento feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) e não representa uma surpresa na capital Recife.

Diretor Alfredo Matos credita bons resultados da escola ao bom nível dos alunos e ao alto nível dos professores
Diretor Alfredo Matos credita bons resultados da escola ao bom nível dos alunos e ao alto nível dos professores
Foto: Celso Calheiros / Terra

O Colégio de Aplicação da UFPE é conhecido pela seleção que faz para novos alunos, sempre disputadíssima junto aos melhores estudantes das escolas do Estado. A concorrência por uma vaga chega a rivalizar 50 alunos. Entre os 51 professores, 49% são doutores, 29% mestres, 20% fazem especialização e 2% tem apenas a graduação. Todos têm dedicação exclusiva. "A qualidade dos alunos e dos professores criaram uma identidade fundamental para o interesse em fazer sempre a escola figurar nas melhores posições", analisa o professor de psicologia Luciano Meira, PhD em educação matemática.

Meira acredita que a melhor lição a ser retirada dos bons indicadores do Colégio de Aplicação está na criação de mecanismos que sirvam para identificar o aluno com a sua escola e estratégias pedagógicas mais modernas. "Os alunos, inclusive aqueles que estudam na rede pública, são multimidiáticos, usam as redes sociais largamente, tiram tudo da internet, dos smartphones. Eles sentem uma defasagem na escola, que despreza até o celular".

O professor propõe a criação de lan houses no próprio ambiente escolar, com profissionais preparados para ensinar no "campo dos alunos". "Por que os professores não utilizam mais os games?", pergunta Meira, ele mesmo um colaborador e incentivador das Olimpíadas de Jogos Digitais e Educação (OJE), um portal na internet que utiliza os princípios das redes sociais para estimular alunos do ensino médio da rede pública a se prepararem para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

No total, o colégio possui 411 alunos apenas com os últimos anos de ensino fundamental e todo o ensino médio. Tem laboratórios de informática, química, biologia e matemática/física. Além das disciplinas tradicionais da grade curricular, permite a opção no estudo de três línguas estrangeiras (francês, inglês e espanhol), música, teatro e algumas disciplinas extras, que são oferecidas ou por pressão dos alunos, interessados no tema, ou pela oportunidade de algum professor estar pesquisando a respeito.

O diretor do Aplicação, Alfredo Matos, credita os bons resultados da escola ao bom nível dos alunos e ao alto nível dos professores. "Não nos preocupamos com os indicadores do Ideb, com o vestibular, Enem e outros indicadores. Somos muito interessados nas aulas e no bom aproveitamento que podemos tirar", resume.

Ele enfrenta os novos paradigmas da sala de aula e desta geração tão interessada em conexões virtuais, dispositivos móveis ou conectados a um cabo. "A maioria dos professores permite uso de smartphones em aula, estamos procurando nos adaptar, mas encaramos essa situação como um desafio a vencer. Não é fácil", avalia.

O diretor conta que a lição que sua instituição pode oferecer de exemplo está na qualificação dos professores e nos estímulos que são oferecidos para a constante especialização. "Já foi mais simples ficar sem um professor que estivesse em um doutorado, por exemplo, mas continuamos trabalhando essa necessidade com empenho".

Fonte: Especial para Terra
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