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30 de março de 2012 • 09h53

Histórias em quadrinhos facilitam o aprendizado em aula

Professora de BH usa tirinhas da Mafalda, do argentino Quino, em sala de aula
Foto: Editora WMF Martins Fontes / Divulgação
 

As histórias em quadrinhos são lidas por 30% dos leitores do País, segundo a 3ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada em 2011 e divulgada nesta quarta-feira, dia 28, pelo Instituto Pró-Livro (IPL). O dado representa um aumento em relação a 2007, quando eram 22%. As HQs ficam à frente até mesmo de textos escolares, de internet e de livros digitais, abaixo apenas de revistas, livros, jornais e livros didáticos em número de leitores.

O estudo tem como base uma amostra da população brasileira com 5 anos ou mais (173 milhões), dos quais 50% (88,2 milhões) são leitores (leram um ou mais livros nos três meses antecedentes à pesquisa). Os números refletem a penetração desse tipo de história em públicos de diversas faixas etárias e sustentam os argumentos de quem defende sua utilização em outros ambientes, como a escola.

Mais utilizados em aulas de português e interpretação, os quadrinhos também podem ser bons instrumentos na hora de transmitir ou revisar o conteúdo de outras áreas do conhecimento, como história, física, matemática e geografia. "O limite é a criatividade ou a imaginação do professor. Se você quer discutir uma questão de física, por exemplo, pode trabalhar alguma história de super-heróis", explica o coordenador do Observatório de Histórias em Quadrinhos da Universidade de São Paulo (USP), Waldomiro Vergueiro.

Uma das principais vantagens em trabalhar com HQs em sala de aula é a aproximação do professor com um universo já conhecido pelo aluno, além da dinamização da disciplina. Vergueiro ressalta que os estudantes já estão familiarizados com os quadrinhos, e o custo desse material é relativamente baixo, o que diminui as chances de desinteresse ou rejeição. Mas é preciso planejamento, pois a má aplicação do recurso pode prejudicar o aprendizado e provocar nos alunos até antipatia pelo meio, segundo o especialista. "O professor tem que se preparar. Existem métodos, técnicas, escolhas, seleção apropriada. São vários aspectos que devem ser considerados", adverte.

Quando todos os requisitos para a boa utilização são satisfeitos, o resultado costuma ser positivo. "Há um aumento de interesse pelo tema tratado, além de uma ampliação do diálogo em sala de aula", acrescenta Vergueiro.

No Colégio Pitágoras, de Belo Horizonte (MG), a professora de história Magna de Assis é uma das defensoras da utilização dos quadrinhos e costuma aplicá-los em suas turmas de ensino fundamental. Nas de ensino médio, a professora busca um material mais elaborado, recorrendo a tirinhas da época da ditadura e à famosa obra do humorista argentino Quino, Mafalda. "Trabalho essas HQs, onde há uma crítica interessante sobre política, para ver se o aluno consegue perceber um contexto histórico-geográfico. Costumo dizer que, se existe humor, só é engraçado para quem compreende", avalia.

O aproveitamento da linguagem ocorre tanto na leitura quanto na produção. Segundo a professora, é a partir dessa atividade que se pode ver o quanto o aluno realmente entendeu sobre o conteúdo. "Quando ele compreende o processo histórico dos quadrinhos, pode criar usando o conceito e os personagens", opina Magna. O trabalho desenvolvido por ela tem relação e encontra subsídios em outra disciplina prevista no currículo da escola, a Oficina de Escrita, que propõe exercícios de criação de histórias em quadrinhos.

Para o coordenador do Observatório de Histórias em Quadrinhos da USP, a prática completa o ciclo de absorção e produção de conhecimento. "É importante que o aluno domine os principais elementos da linguagem e consiga se expressar por meio dela", observa Vergueiro.

Ferramenta de ensino para todas as idades
Os pequenos também são fãs das histórias em quadrinhos. A professora Caroline Bezerra Rodrigues, do Instituto de Educação Guiness, de Taguatinga do Sul (DF), conta que o retorno dos alunos do 2º ano do ensino fundamental é bastante favorável. "É uma fase em que estão aperfeiçoando a leitura, então é uma maneira mais divertida e prazerosa de fazer isso", analisa. A professora leva para a sala de aula histórias e tirinhas consagradas, como as da Turma da Mônica e do Menino Maluquinho, adequando-as ao conteúdo curricular. "Quando vou montar o plano de aula, muitas vezes pesquiso o tema e insiro a tirinha. Mas às vezes acontece de estar folheando o livro, vejo uma história e levo para a turma", conta Caroline.

O aproveitamento das histórias em quadrinhos para fins didáticos não é exclusividade das escolas regulares. Cursos de idiomas também se valem dos recursos para transmitir o conteúdo de maneira mais lúdica e acessível. Para José Celso Barbosa Filho, coordenador didático-pedagógico da rede de franquias Number One (especializada no ensino de inglês), o engajamento do aluno é maior devido à descontração do material. "O quadrinho, apesar de ser um registro de informação um pouco discriminado no meio acadêmico, permite o aprendizado ao mesmo tempo em que remete ao lazer", entende. Barbosa Filho lista outras possibilidades que foram implantadas pela escola, como a utilização de áudios aliados à leitura das HQs para dinamizar o processo.

A linguagem da história em quadrinhos ainda é adotada em outras publicações, como manuais de instruções e até para a produção de livros-reportagem, como Palestina, do jornalista e quadrinista maltês Joe Sacco. Para o especialista Waldomiro Vergueiro, de maneira geral, costuma-se obter bons resultados, uma vez que o meio consegue transmitir a mensagem com facilidade, independente da idade. "Há produção de quadrinhos para todos os públicos", garante o especialista.

Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra