Haddad: comissão analisará e kit anti-homofobia será refeito

31 mai 2011
13h45
atualizado às 14h48

Luciana Cobucci
Direto de Brasília

O ministro da Educação, Fernando Haddad, participa de audiência pública na Comissão de Educação do Senado
O ministro da Educação, Fernando Haddad, participa de audiência pública na Comissão de Educação do Senado
Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil

O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira, durante audiência pública no Senado, que uma comissão foi instalada na presidência da República para analisar o conteúdo do material do kit contra homofobia. Haddad também disse que o material será refeito.

"A Frente da Família, por meio de vários parlamentares, fez chegar ao MEC o pedido para que qualquer material contra preconceito não fosse utilizado para um público específico, mas que o preconceito fosse trabalhado numa campanha geral", disse.

O convênio do Ministério da Educação (MEC) firmado para preparação do kit contra homofobia, a ser distribuído em escolas de ensino médio, será cumprido na sua totalidade. A produção foi suspensa após críticas de líderes religiosos sobre o material que iria compor o kit.

Em resposta a questionamento do senador Alvaro Dias (PSDB-PR), Haddad disse que as críticas ao material estão restritas a três vídeos que integram o kit, cujo objetivo é combater a discriminação de homossexuais nas escolas.

O ministro também informou que a presidente Dilma Rousseff avaliou o conteúdo do material. "A presidente viu parte do material, manifestou desagrado em relação a um vídeo específico e pediu que a comissão analisasse".

Kit anti-homofobia
A produção e distribuição do kit de combate à homofobia nas escolas públicas foram suspensas no dia 25 de maio por determinação da presidente Dilma Rousseff. Ela afirmou que assistiu um dos vídeos veiculados pela mídia e considerou o material "inadequado".

De acordo com o MEC, antes da decisão de suspender o kit, uma comissão da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade trabalhava na análise dos conteúdos, compostos de três vídeos e um guia de orientação a professores.

Ainda segundo o MEC, os vídeos, com duração média de 5 minutos, seriam trabalhados em sala de aula (não seriam entregues aos alunos). Eles tratam dos temas transexualidade, bissexualidade e a relação entre duas meninas lésbicas. O kit foi elaborado pela Global Alliance for LGBT Education (Gale), a ONG Pathfinder do Brasil, a Comunicação em Sexualidade (Ecos); a Soluções Inovadoras em Saúde Sexual e Reprodutiva (Reprolatina) e a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT).

No dia 18 de junho, o ministro da Educação Fernando Haddad realizou uma reunião com as bancadas católica e evangélica e prometeu que elas seriam ouvidas na elaboração do material. Ele negou que alguns conteúdos divulgados na internet constituíssem o kit e afirmou que os três vídeos ainda não eram oficiais, pois precisavam ser aprovados pelo Comitê de Publicação do MEC.

No dia 25 de maio, quando foi anunciada a decisão do governo de suspender o kit, parlamentares da bancada religiosa disseram que Haddad havia descumprido o acordo de ouvir os deputados sobre o material, o que foi negado pelo ministro. Anthony Garotinho (PR-RJ) disse ainda que as bancadas usariam as denúncias contra o ministro chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, como "moeda de troca" caso a presidente não suspendesse o material. Dilma negou que cedeu às pressões e que desistiu do kit porque o governo "não aceita propaganda de opções sexuais".

Com informações da Agência Senado

Fonte: Terra

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