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Greve dos professores municipais chega ao fim no Rio de Janeiro

25 out 2013 19h42
| atualizado às 21h17
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Professores municipais em assembleia decidem encerrar greve no Rio
Professores municipais em assembleia decidem encerrar greve no Rio
Foto: Marcus Vinícius Pinto / Terra

Depois de 77 dias chegou ao fim a greve dos professores do município do Rio de Janeiro. A assembleia que decidiu pelo fim da greve durou quase oito horas e a categoria precisou de três votações para se chegar ao resultado. Houve discussões acaloradas durante todo o dia e até agressões entre dois professores. Um deles foi expulso do local. O movimento começou no dia 8 de agosto e a previsão é que já na segunda-feira as aulas voltem ao normal em todo o município.

Depois de 77 dias chegou ao fim a greve dos professores do município do Rio de Janeiro. A assembleia que decidiu pelo fim da greve durou quase 8 horas e a categoria precisou de três votações para se chegar ao resultado. Houve discussões acaloradas durante todo o dia e até agressões entre dois professores. Um deles foi expulso do local. O movimento começou no dia 8 de agosto e a previsão é que na terça-feira as aulas voltem ao normal em todo o município, já que segunda-feira será feriado do servidor municipal. 

As professoras Zaida Fernandes e Eumarilda Rodrigues votaram pelo fim da greve, mas gostariam que a categoria mantivesse a greve. "O movimento estava enfraquecido. O acordo feito em Brasília foi ruim para a categoria" afirmou Eumarilda. Para Zaida o mais sensato agora era voltar. "Na minha escola, praticamente todo mundo já voltou ao trabalho. Voltamos pelo bom senso", afirmou. 

Já o professor Antônio de Jesus disse que a categoria não ganhou nada após o movimento. "Quase 93% da categoria saiu sem ganhar nada. A categoria estava dividida", afirmou em referência à votação que terminou em 1085 votos a favor do fim da greve e 888 contra, além de 14 abstenções.


O diretor do Sindicato Estadual dos Trabalhadores em Educação (Sepe), Marcelo Santana, lamentou a divisão da categoria e as acusações feitas ao Sepe pelo acordo feito em Brasília. "Muitos dos que vieram aqui e estavam contra, não temos nem certeza se eram mesmo professores. Mas na assembleia da terça-feira, eles nos deram autorização para negociar em nome da categoria", disse Santana. 

Para o Sepe a luta continua apesar do fim da greve. "Conseguimos parar quase 100% das escolas e em algum momento isso cansa, além do fato de os professores terem sido assediados pela prefeitura para voltarem ao trabalho", afirmou. Para a professora Eumarilda Rodrigues os professores não vão parar. "Ano que vem tem mais." 


Sobre a reposição das aulas, os professores alegam que não há tempo hábil para repor todas, como consta no acordo feito entre o Sepe, a secretaria Educação e o ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux. "Essa questão vai ser rediscutida nas próximas semanas e são os professores que vão decidir como isso vai ser feito" afirmou Santana.

Antes de decidirem sobre os rumos do movimento, os professores ficaram discutindo outras questões. Primeiro quiseram saber do departamento jurídico do sindicato que garantias teriam de recurso caso a greve continuasse. Foram então informados de que era possível seguir até o Supremo, se quisessem, mas que isso não iria garantir que os pontos não seriam cortados e nem que não seriam alvo de processo administrativo por parte da prefeitura. Isso porque, no acordo assinado esta semana com o Fux, caso a greve não chegasse ao fim, os professores teriam que aceitar a decisão tomada pelo Tribunal de Justiça do Rio, de declarar a greve ilegal. 

Os professores ainda votaram se a mídia não alternativa poderia ou não acompanhar a assembleia. Apesar do protesto de muitos professores de que a proibição seria censura, a direção do Sepe colocou a ideia em votação e a mídia acabou sendo admitida dentro do ginásio do clube municipal. A reunião dos professores do município foi acompanhada pelos vereadores Jeferson Moura e Eliomar Coelho, do Psol, Reymont, do PT, e do presidente regional do PSTU, Cyro Garcia. 

Durante as discussões, dois professores se desentenderam e brigaram no meio do ginásio onde acontecia a reunião. No microfone, um diretor do Sepe alertou. "Como podemos criticar a policia militar quando nós mesmos nos agredimos". Um setor mais radical tentou fazer que a manifestante conhecida como Sininho, ligada aos Black Blocs, falasse antes da votação. Mas os professores não permitiram a intromissão da produtora de cinema no assunto dos professores. Quando Sininho conseguiu falar, praticamente todos os professores já tinham ido embora.

Fim da greve estadual
Ontem os professores da rede estadual de ensino público decidiram encerrar a paralisação da categoria que começou em 8 de agosto. A greve já durava mais de dois meses, e foi marcada por diversos protestos nas ruas da cidade, que tiveram violentos confrontos entre policiais e manifestantes. Os professores estaduais voltarão às salas de aula na sexta-feira. Para repor o tempo parado, estão previstas aulas aos domingos.

A proposta de suspensão da greve surgiu depois de audiência realizada no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. Comandada pelo ministro Luiz Fux, a reunião teve a presença de autoridades dos governos estadual e municipal, além de representantes do sindicato. Foi firmado um acordo que estabelece, entre outros tópicos, que as faltas durante o período de greve seriam abonadas, e o ponto dos profissionais não seria cortado. Os professores terão, no entanto, que repor todas as aulas que deixaram de ser aplicadas.

As multas aplicadas ao Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe) durante o processo de paralisação também serão revogadas pela secretaria. Um grupo de trabalho que vai discutir questões prioritárias da categoria começará a ser formado em fevereiro do ano que vem.

Fonte: Terra
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