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Fenep: lei de cotas faz País assumir que rede pública é ruim

9 ago 2012 11h01
| atualizado em 10/8/2012 às 12h46
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Escolas particulares do Brasil estão criticando o projeto aprovado na última terça-feira no Congresso Nacional que reserva 50% das vagas das 59 universidades federais do País a alunos da rede pública. De acordo com a presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep) Amábile Pacios, a aprovação da lei faz com que o governo assuma que as escolas públicas do País são de má qualidade. "O que temos que discutir na sociedade não são as cotas, mas por que as crianças de escolas públicas não têm condições iguais às que estão na escola particular", afirmou.

Cotas: desafio agora é garantir permanência do novo aluno

O que falta para o projeto entrar em vigor é a presidente Dilma Rousseff, que é a favor da iniciativa, sancionar a proposta. De acordo com o governo, a medida amplia o acesso de setores menos favorecidos da população ao ensino superior. Se a lei for sancionada, o Fenep pretende entrar na Justiça. "É um direito que temos discutir isso na sociedade, precisamos resolver, acima de tudo, o problema da qualidade da educação", disse Pacios.

"Essa lei, se sancionada pela Dilma, vai dizer primeiro que todos concordam que a escola pública é de má qualidade, o governo estará assumindo isso. Segundo, estarão dizendo que precisam corrigir já que não dão informação, facilitando o acesso dos estudantes à universidade", afirmou a presidente da federação.

Para a presidente da Fenep, a escola particular se tornou a única opção para as famílias devido à qualidade do ensino. "Não queremos ser a única opção. Temos interesse na escola pública de qualidade, o que queremos saber é por que os alunos não tem essa qualidade no ensino público", disse. Além disso, Pacios afirma que a decisão do governo não vai resolver o problema da rede pública de ensino. "Estamos resolvendo uma dívida e já criando outra para o futuro".

Ela explica que um aluno de rede pública que não tem uma base escolar de qualidade estará sendo prejudicado ao ingressar na universidade e comprometendo na busca de empregos e estudos. "Quando você coloca um aluno de escola pública de má qualidade em uma faculdade de quatro anos, ele levará oito para terminar. A qualidade vai amarrar o aluno na caminhada da universidade", afirmou Pacios. "Não é fazendo uma lei que vamos corrigir. Temos que melhorar o investimento não só em dinheiro, mas em gestão", concluiu.

Na noite desta terça-feira, os senadores aprovaram o projeto que regulamenta o sistema de cotas raciais e sociais nas universidades públicas federais em todo o País. Pela matéria, relatada pela senadora Ana Rita (PT-ES), metade das vagas nas universidades deve ser separada para cotas.

A reserva será dividida meio a meio. Metade das cotas, ou 25% do total de vagas, será destinada aos estudantes negros, pardos ou indígenas de acordo com a proporção dessas populações em cada Estado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A outra metade será destinada aos estudantes que tenham feito todo o segundo grau em escolas públicas e cujas famílias tenham renda per capita até um salário mínimo e meio.

Fonte: Terra
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