Educação

publicidade
28 de fevereiro de 2011 • 10h31 • atualizado às 12h21

Estudo diz que percepção sobre educação pública melhorou no País

De modo geral, a percepção de 48,7% dos entrevistados é de que a educação pública melhorou
Foto: Ipea / Reprodução

Um estudo do Sistema de Indicadores de Percepção Social (Sips), publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostra que, de modo geral, a maior parte dos brasileiros considera que a educação pública melhorou ou pelo menos continua igual no País. No total, 48,7% dos entrevistados consideram que houve melhora, contra 27,2% que acham que não houve mudanças e 24,2% que acreditam que a educação piorou.

Apesar dos dados positivos, o estudo também chegou à conclusão de que "pode estar havendo uma estagnação ou diminuição do ritmo de avanço da qualidade de educação em regiões brasileiras onde os índices são melhores, mas ainda inferiores aos patamares internacionais de qualidade".

Isso porque quando os dados são analisados levando em conta uma divisão por regiões brasileiras, há discrepância. O Sul e o Sudeste, que apresentam os melhores índices educacionais do País, contam com níveis elevados de percepção negativa.

No Sudeste, a proporção de pessoas que consideram que a educação pública piorou é de 36,1%, enquanto 23,9% apontam que continua igual e 40% dizem que melhorou. No Sul, o número dos que acham que piorou é menor (17,5%), mas 39,6% acham que continua igual - 42,9% consideram que melhorou.

Nas regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte, a situação da percepção social da população em relação à educação pública é bem diferente. O Centro Oeste apresenta 62,9% de pessoas que dizem que a educação melhorou. No Nordeste, 56,2% consideram o mesmo, e no Norte, são 54,3% que acham que a situação melhorou.

Sexo, raça, faixa etária, escolaridade e renda
A proporção de pessoas que avaliam positivamente a educação pública no Brasil, em linhas gerais, tende a ser menor entre os mais velhos, os que ganham mais e os que têm maior escolaridade. Mulheres e pessoas que se declaram brancas também têm tendência a ser mais críticos.

Para quem tem mais de 54 anos, a noção de que a educação piorou ou continua igual chega a 55,7% do total de entrevistados. Esse número chega a 56,7% entre os que têm de 45 a 54 anos. Mas a avaliação fica mais positiva em faixas mais jovens. Entre 18 e 24 anos, são 51,1% os que consideração que a situação melhorou - e mais 39,6% acham que está igual.

De acordo com o estudo, essas avaliações positivas entre os mais jovens podem estar ligadas "à ampliação do acesso à educação básica, ocorrida nas últimas duas décadas, assim como à ampliação do acesso à educação superior, por meio de programas como o ProUni, e à implementação de ações afirmativas, a exemplo das cotas para ingresso na educação superior".

Como relação ao nível de escolaridade, por exemplo, 35,4% dos que têm nível superior ou pós-graduação disseram que o ensino piorou, contra 24,3% com a mesma opinião entre os que têm até a 4ª série do 1º grau.

A mesma tendência se verifica na divisão por níveis de renda. Entre os que ganham até dois salários mínimos, 19,3% acham que o ensino público piorou, mas esse número aumenta para 34,2% entre os que recebem entre 10 e 20 salários mínimos, por exemplo.

Na divisão por sexo, os homens foram mais otimistas. Entre os entrevistados, 51% dos homens acham que a situação melhorou - entre as mulheres, esse número foi de 46,6%. O gráfico dividido por declaração racial mostra que entre os negros e pardos a avaliação de que a educação melhorou é de 50,9%, mas esse número cai para 46,4% entre os brancos.

Pesquisa
Segundo o Ipea, a pesquisa foi feita com a aplicação de um questionário de 21 questões objetivas para 2.773 pessoas, em suas residências, em todo o País, no período de 3 a 19 de novembro de 2010. A amostra foi definida por cotas, tendo como parâmetro a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (PNAD) de 2008, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Todos os entrevistado responderam a perguntas sobre a qualidade de educação pública no Brasil independentemente de frequentarem a escola ou serem responsáveis por alunos.

A pesquisa também não delimitou um período de comparação. Não foi perguntado aos entrevistados se houve melhora na última década ou nos últimos anos, por exemplo, e sim se melhorou.

Terra