Enem

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19 de julho de 2010 • 06h32 • atualizado às 15h45

Tradição mantém colégio São Bento entre os melhores do Enem

Mariana Canedo e Rodrigo Teixeira
Direto do Rio de Janeiro

Há 152 anos formando personalidades ilustres no Rio de Janeiro, o colégio São Bento, no centro da cidade, é conhecido pela rígida disciplina e a boa infraestrutura. Dos meninos que se formaram em 2009, 90% passaram para universidades públicas, segundo a direção do colégio. Sempre com bons índices nas avaliações feitas pelo Ministério da Educação (MEC), conseguiu no último Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o melhor desempenho entre as escolas cariocas e o terceiro lugar no ranking nacional. O colégio ficou em primeiro lugar também em 2004, 2005, 2007 e 2008. Em 2006, ficou em segundo lugar no exame.

A primeira sensação que se tem ao entrar na escola, só para meninos, não é o de estar em uma instituição católica, já que poucos são os símbolos que fazem referência à religião. Diferentemente de tempos passados, os monges da ordem dos beneditinos, que administram a escola, não lecionam mais, nem mesmo as aulas de religião, que são orientadas por profissionais contratados. No colégio São Bento, cabelo cortado e uso regular do uniforme são imprescindíveis. "Se o aluno quiser usar calça rasgada, brinco, piercing e cordões, certamente não vai estudar aqui", afirma a supervisora pedagógica Maria Elisa Penna.

A entrada dos alunos, que fazem na escola três refeições diárias, é às 7h30 e a saída às 16h20. A colação é feita pela manhã, seguida pelo almoço e lanche da tarde. Para cada matéria do currículo pedagógico, existe um coordenador que atualiza a grade constantemente, para que o conteúdo jamais fique obsoleto. Os nove andares do colégio têm áreas propícias ao conhecimento, como laboratórios de informática, física, química e biologia. A biblioteca possui 15.307 títulos, assina cerca de 100 números de revistas de diversos assuntos e também jornais nacionais e internacionais. Além disso, brinquedos clássicos como escorregador e balanço compõe o playground da escola, que conta ainda com campo de futebol e piscina semiolímpica para prática de esportes. O custo das mensalidades varia entre R$ 1.769,39 e R$1.996,45.

Além das regras de conduta, o colégio adota também procedimentos internos rigorosos, como a não autorização de transferências ou entrada de alunos após a primeira série do Ensino Médio. "Acreditamos que todo o ciclo tem que ser cumprido aqui e não pode ser interrompido. O ensino médio é um curso completo, não aceitamos transferências para o segundo ou terceiro ano", disse Maria Elisa.

O filho de Cristina Santos, médica, moradora de Ipanema, tem 6 anos e acaba de terminar o primeiro semestre de 2010 no primeiro ano do ensino fundamental. Ela falou sobre os motivos de sua opção pelo São Bento. "O que me chamou atenção foi o ensino completo. O colégio se propõe a dar ao aluno não só a base pedagógica, mas também uma base cultural. Assim que meu filho completou a idade para entrar aqui, o inscrevi no processo seletivo. Ficamos muito felizes com a aprovação", disse.

O professor de Física Henrique Matriciano, leciona no São Bento há 21 anos disse que a relação entre professores e alunos na escola é individualizada. "Para mim, a relação é quase como de pai para filho", disse, apesar de considerar desproporcional a compensação material dos professores pelos resultados dos alunos. "Não existe uma compensação financeira que faça jus aos resultados obtidos pelos alunos. A única diferença em relação a outros colégios, é que nossa hora-aula é tabelada", disse.

Já passaram pelo colégio personalidades brasileiras como Heitor Villa-Lobos, Benjamin Constant, José Arthur Farme de Amoedo, Noel Rosa, Alfredo da Rocha Viana Filho (Pixinguinha), Clóvis Bevilacqua, autor do projeto do Código Civil Brasileiro, o ator Guilherme Fontes, o humorista Hélio de la Peña, José Eugênio Soares (Jô Soares), Lamartine Babo, entre outros.

Bolsas
Não são muitos os casos, mas o São Bento também oferece, eventualmente, bolsas para alunos de destaque da rede pública. Formado em 2009, Henrique Rodrigues de Melo, 19 anos, é um deles. Morador da comunidade Dona Marta, morro localizado na zona sul do Rio de Janeiro, Henrique participou de uma seleção de bolsas, promovida pelo colégio em parceria com um instituto que busca talentos nas redes estadual e municipal. O ex-aluno passou em sete universidades, quatro delas públicas. Para o curso de Administração de Empresas, classificou-se nos vestibulares da Fundação Getúlio Vargas e da Unirio, e, para o curso de Direito, passou nas provas da IBMEC, PUC, UERJ e UFRJ.

Satisfeito com a oportunidade que conquistou, Henrique traça agora metas para o futuro. "Optei pela faculdade de Direito na UFRJ. Fiz todo o ensino médio no São Bento e posso dizer que o nível é muito alto. Nossos simulados são mais difíceis que muitos vestibulares. Uma nota cinco aqui é dez em outro colégio. Quero ser diplomata ou defensor público, para democratizar a Justiça", disse o jovem universitário.

Apesar de a escola não possuir um programa regular de bolsas, no início deste ano, a pedido da Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) foi aberta uma seleção para 12 bolsas integrais. Segundo Maria Elisa Penna, foram fornecidos para estes alunos desde o uniforme ao material didático. Os alunos, claro, ingressaram no primeiro ano do ensino fundamental, mantendo a proposta do colégio, de formar os alunos desde a base, conforme explicou a supervisora pedagógica da instituição.

Redação Terra