publicidade
23 de novembro de 2012 • 17h05

RJ: após despencar no Enem, São Bento critica retirada da redação

Supervisora pedagógica do colégio São Bento, Maria Elisa criticou os critérios do ranking do MEC
Foto: Daniel Ramalho / Terra
 
Mônica Garcia
Direto do Rio de Janeiro

Embora tenha alçado novamente a primeira colocação no ranking estadual do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o Colégio São Bento, que fica no centro do Rio de Janeiro, caiu da primeira para a décima colocação no ranking nacional. Acostumado a ficar sempre entre as cinco primeiras colocações, o São Bento criticou nesta sexta-feira a retirada da nota da redação do cálculo do desempenho das escolas.

Para Maria Elisa Penna Firme Pedrosa, supervisora pedagógica da instituição, a justificativa do Ministério da Educação (MEC) de que a avaliação da redação é muito subjetiva, é frágil. Caso fosse considerada a nota no texto, a classificação do colégio carioca subiria no ranking nacional. "Acho que essa questão ainda vai dar muita polêmica. Não sabíamos que eles não iriam considerar as notas de redação, como sempre aconteceu. Fiquei surpresa com essa informação. A redação é muito importante para a avaliação, não há como descartar", disse.

"Olhando por alto dá para dizer que ficaríamos em quarto ou quinto lugar no ranking nacional se a nota da redação fosse levada em consideração. Não seria o primeiro lugar, mas ficaríamos no lugar que sempre ficamos, entre os cinco primeiros nessa classificação", reclamou Maria Elisa. Ela disse ainda que embora o resultado não seja um motivo para comemoração, não dá para ficar triste.

"Cair do primeiro lugar para o décimo gera uma preocupação. No ano passado quando fomos o primeiro colocado no ranking nacional, eu tinha a expectativa de sermos o vigésimo. Pois o nosso único parâmetro é a fala dos alunos após a prova, e eles reclamaram bastante. Essa é a nossa única visão. Então a classificação de 2010 foi uma surpresa para nós. Mas esse ano não existia a expectativa de primeiro lugar, para falar a verdade a gente quer e deseja o primeiro lugar, mas não há expectativa de garanti-lo. É Impossível saber", afirmou.

Outro ponto criticado pelo São Bento é não ter acesso às provas corrigidas dos alunos. Segundo a instituição, essa seria a melhor forma de melhorar o ensino e saber as necessidades dos alunos. O colégio ainda sugere que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacional (INEP), responsável pelo Enem, crie um sistema de acesso on-line para visualizar as provas corrigidas dos alunos.

"Gostaríamos por exemplo de ter separadamente os resultados por questões, para podermos fazer uma aplicação desses resultados no ensino. Para isso você tem que ter os resultados mais esmiuçados. Assim temos como saber onde estão os maiores erros dos alunos, e os erros da escola em relação às outras", sugeriu a supervisora pedagógica.

Morte de aluno
Estudam atualmente no colégio São Bento 1.117 meninos (a escola não aceita meninas), que pagam em média R$ 2.200,00 de mensalidade. As turmas abrigam cerca de 30 estudantes, que entram através de processo seletivo de avaliação. São feitas provas de matemática e português para o ensino fundamental. Já para o ensino médio só podem participar alunos que irão cursar a partir da 1ª série, e passam por provas de todas as disciplinas obrigatórias, como português, matemática, geografia, história, entre outras.

A última avaliação de ingresso aconteceu no mês de outubro e de acordo com Maria Elisa, a procura foi "normal" como todos os anos anteriores. No fim do mês de setembro, um aluno caiu da janela do quinto andar da instituição e morreu. O caso só foi concluído pela polícia nessa semana, e isentou a tradicional instituição do acidente.

"Não tivemos impacto na procura na avaliação de outubro, continuou igual a todos os anos. O impacto que ficou foi emocional, e isso é para sempre. Lamentavelmente aconteceu isso, mas é a vida. A dor da família então é muito maior", disse Maria Elisa.

Enem 2011
O desempenho das escolas na edição de 2011 do Enem foi divulgado na quinta-feira e pode ser consultado no site do MEC. Segundo o levantamento, das pouco mais de 10 mil escolas analisadas, 47,62% eram privadas. A maior dos estudantes que prestaram o exame (83,86%) tem renda familiar per capita entre um e cinco salários mínimos (de R$ 622,00 a R$ 3,1 mil).

De acordo com o MEC, a média das escolas privadas ficou em 596,2 pontos. Já as escolas da rede pública alcançaram 474,2 pontos. Entre as 100 primeiras colocadas no levantamento, apenas dez são públicas.

Ranking:
Veja onde estão as 50 melhores e as 50 piores escolas do Enem 2010
As falhas do Enem:
Em 2011, de novo, exame não passou no teste. Confira o que deu errado

Terra