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 Enem não é imune a 'práticas criminosas', diz Haddad a deputados
23 de novembro de 2011 17h51 atualizado às 18h11

Laryssa Borges
Direto de Brasília

Em audiência pública na Câmara dos Deputados, o ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou nesta quarta-feira que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não está imune a "práticas criminosas". A prova, que nos últimos anos enfrentou furtos de apostilas e erros de impressão, em 2011 teve o vazamento de questões em um colégio de Fortaleza (CE).

As polêmicas do Enem: da prova que vazou ao endereço errado

"Contratamos esse ano uma empresa de gestão de risco para mapear onde atuar para inibir práticas criminosas, mas não se iludam. Elas vão continuar ocorrendo", disse o ministro, que atendeu a um convite dos deputados para explicar os problemas e fraudes de que o Enem é alvo.

"Vamos ter de enfrentar bandido. O Exame da Ordem (dos Advogados do Brasil) tem quantos anos? A Operação Tormenta, da Polícia Federal, dá conta do número de concursos (alvo de fraudes). Temos que enfrentar o crime organizado e desorganizado", disse Fernando Haddad na Câmara dos Deputados.

Aos parlamentares, o ministro da Educação voltou a defender ainda a destinação de 7% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação. "Temos toda a condição de chegar aos 7% e superar, se for esse o desejo do Congresso Nacional. Tenho segurança de que nesses últimos seis anos o MEC nunca viu um aumento tão expressivo do seu orçamento. Não há paralelo com nenhum outro período", relatou.

Quando da confirmação da ida do ministro do Congresso, o ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, chegou a pedir que o advogado-geral da União (AGU) acompanhasse o depoimento de Haddad aos deputados, mas o próprio ministro da Educação dispensou a presença de Luís Inácio Adams na audiência.

Falhas no Enem
Criado em 1998, o Enem passou a ser aceito como via de ingresso na maior parte das instituições de ensino no Brasil a partir de 2009. Neste ano, cadernos de prova foram furtados poucos dias antes da aplicação do exame, gerando alteração nas datas em que a prova seria realizada. Esse adiamento fez com que muitas universidades mudassem a maneira com que utilizariam a nota do Enem, além de gerar um prejuízo estimado em R$ 30 milhões para o MEC.

A prova de 2010 foi marcada por erros de impressão na folha de respostas. O caderno informava que as questões de 1 a 45 eram da área de Ciências da Natureza e da 46 a 90 eram da área de Ciências Humanas, mas nos cartões de resposta a indicação era justamente a inversa. Já em 2011, apostilas com questões idênticas às da prova foram distribuídas a alunos do colégio cearense Christus, de Fortaleza. O MEC chegou a cancelar a prova de 639 alunos da escola, mas a Justiça Federal ordenou a anulação apenas das questões que vazaram aos estudantes do Christus.

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