Enem: melhor escola faz entrevista para selecionar superdotados

SP: melhor escola do Enem faz entrevista para selecionar "superdotados"

23 nov 2012
11h49
atualizado às 12h45

Renan Truffi
Direto de São Paulo

"Campeão" no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) com 737,15 pontos na média geral, o Colégio Integrado Objetivo só seleciona alunos por meio de entrevista com psicólogos. Diferentemente de boa parte das instituições com boas notas no teste, a melhor escola do País, de acordo com o ranking, não faz prova porque prioriza os alunos "superdotados", como explica o fundador do Objetivo, João Carlos Di Genio.

"Os outros colégios fazem exame, nós não. Nós fazemos entrevista. Tem muito bom aluno e inteligente, mas há aluno que tem capacidade para ser superdotado, brilhante. Na entrevista com psicólogo, a gente pega se o aluno está preparado, se tem potencial. Pelo desempenho, você percebe (se é superdotado). Às vezes ele nem tem notas muitos boas, mas resolve estudar", explica.

O fundador da rede explica que resolveu criar a turma de "especiais" para "formar uma elite intelectual no País", mas reconhece que o Colégio Integrado Objetivo também funciona como uma vitrine para atrair estudantes comuns para as outras unidades da escola.

"O Brasil precisa valorizar esse tipo de aluno. Você precisa de uma elite intelectual. Você precisa ter inovação senão não vamos evoluir. A ideia é uma formar uma liderança intelectual. Cinco por cento da população é superdotada. Você tem que ter uma escola que atenda essa elite intelectual. Agora que o Brasil está acordando. Tanto o pobre quanto o rico nascem com potencial. É que o rico desenvolve isso em escolas particulares, o pobre não", argumenta.

Além de priorizar estudantes acima da média, o colégio também conta com uma grade diferenciada em tempo integral. Os alunos que entram no Colégio Integrado Objetivo estudam das 7h10 às 18h. De acordo com Di Genio, foram os próprios estudantes que pediram mais tempo para se dedicarem aos estudos.

"Começou em 2009, com alunos que participavam de olimpíadas internacionais de matemática, astronomia e física. Eles ficavam aqui para estudar na parte da tarde. Primeiro pediram restaurante e, no final, eles mesmo falaram: 'monta um colégio de tempo integral'. A tendência é passar tudo (escolas do Objetivo) para tempo integral", conta.

Na parte da tarde, no entanto, os adolescentes estudam matérias diferentes, como robótica e astronomia. A medida, no entanto, é mais para agradar os "superdotados", como revela o fundador do Objetivo. Segundo ele, se a escola não oferecer outras disciplinas, eles ficam "insatisfeitos". "Se você não satisfaz o interesse desse tipo de aluno, eles desistem. Eles gostam de astronomia, são alunos brilhantes. São alunos que requerem acompanhamento de psicólogos porque quando dão problema, são muito críticos. Eles podem começar usar a inteligência para o lado ruim", diz.

Apesar disso, João Carlos Di Genio nega que a escola priorize disciplinas como matemática, física ou química. Questionado sobre o porquê da escola não ter alcançado o mesmo desempenho na prova de redação, o fundador responde que a avaliação da parte de textos ainda é "subjetiva". "A nota do primeiro e do 30º é quase a mesma coisa. Redação é sempre uma coisa subjetiva. De tempo em tempo estão mudando os critérios (de avaliação)", afirma.

Enem 2011
O desempenho das escolas na edição de 2011 do Enem foi divulgado nesta quinta-feira e pode ser consultado no site do MEC. Segundo o levantamento, das pouco mais de 10 mil escolas analisadas, 47,62% eram privadas. A maior dos estudantes que prestaram o exame (83,86%) tem renda familiar per capita entre um e cinco salários mínimos (de R$ 622,00 a R$ 3,1 mil).

De acordo com o MEC, a média das escolas privadas ficou em 596,2 pontos. Já as escolas da rede pública alcançaram 474,2 pontos. Entre as 100 primeiras colocadas no levantamento, apenas dez são públicas.

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Fonte: Terra
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