Enem

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24 de julho de 2013 • 10h47 • atualizado às 10h50

Enem 2013: veja como se dar bem em 5 possíveis temas da redação

Esporte, transporte público, participação da juventude, inclusão digital na escola e saúde estão entre os possíveis temas para a redação

 

Uma das mais eficientes formas para mandar embora o bloqueio de ideias e o nervosismo na hora de escrever uma redação é abusar da curiosidade, investigar o que pode ser tema e esmiuçar um a um. Com o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), não é diferente. Mais do que apostar em uma temática, o importante antes da prova é testar uma forma de sair do senso comum sem fugir da proposta, ser incoerente ou ferir os direitos humanos em cada um dos possíveis temas.

Os protestos que se espalharam pelo Brasil este ano, sem uma causa única, serviram como motivação para temas sugeridos por professores de redação ouvidos pelo Terra. A participação do jovem como agente transformador na sociedade, a valorização da saúde pública e a questão da mobilidade urbana no Brasil, por exemplo, são temas antigos, mas que em algum momento cruzaram com as manifestações populares e voltaram à tona.

Outro tema que se aproveita de eventos atuais é o esporte como ferramenta de inclusão social, motivado pela Copa das Confederações, pela Copa do Mundo e pela Olimpíada no Brasil. Temas assim estão entre os favoritos do Enem, por isso outra temática possível é a tecnologia como transformadora da educação. Em todos os assuntos, espera-se que o aluno proponha soluções com base em argumentos consistentes e mostre-se um cidadão com bom senso e preocupado com o seu País.

A participação do jovem na sociedade
Os protestos no Brasil em 2013, que surgiram inicialmente para contestar os aumentos nas tarifas de transporte público, ganharam força com a participação dos jovens e servem como mote para a redação no Enem. Espera-se que o aluno mostre argumentos que apontem o jovem como agente transformador que, além de ter consciência cidadã, intervém com ações práticas.

Além da questão dos protestos, a professora Marina Loureiro, do Curso Miguel Couto, recomenda que o candidato cite outras ações, como a participação do jovem como eleitor e a importância do voto consciente. Outro caminho possível é mostrar ações concretas de grupos voluntários formados por jovens, que prestam solidariedade a outros grupos. Marina ressalta que, nos dois ou três parágrafos de desenvolvimento, entre a introdução e a conclusão, é necessário apresentar mais de um argumento concreto que mostre o jovem como agente transformador da sociedade.

O esporte como ferramenta de inclusão social
Motivado pela Copa das Confederações neste ano, pela Copa do Mundo em 2014 e pela Olimpíada em 2016 no Brasil, se o esporte aparecer como tema, é importante que o aluno o defenda como uma forma de incluir minorias na sociedade. Vale mostrar o esporte como um meio para obter saúde física e mental, falar em pessoas portadoras de deficiência que conseguem se incluir em um grupo estimuladas pelo esporte e contar histórias de jovens carentes que, por meio do esporte, tiveram acesso aos estudos. No entanto, histórias particulares ou de pessoas próximas não são válidas como argumento: ao citar alguém em particular, é preciso dar nome a entidades ou pessoas famosas, para que o corretor tenha certeza de que o aluno não está inventando uma história. 

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Ao escrever sobre a Copa na redação, a professora Ester Chapiro, da Central de Professores - Soluções Pedagógicas, alerta que tanto pontos positivos quanto negativos devem ser justificados com argumentos embasados na realidade. A questão da inclusão social do esporte, no entanto, precisa aparecer no texto, caso contrário o aluno estará fugindo do tema proposto.

A valorização da saúde pública
Em 2013, motivado pelas manifestações populares que se espalharam pelo País, o governo brasileiro anunciou uma série de medidas relacionadas à questão da saúde pública. Entre as principais, o Brasil vai importar médicos estrangeiros para amenizar a escassez de profissionais nas regiões mais carentes, e estudantes de medicina de faculdades públicas e privadas terão que trabalhar dois anos no SUS para ter o diploma. Na redação do Enem, espera-se que o aluno faça uma reflexão a respeito da importância de priorizar a saúde, e que ele proponha possíveis soluções com base em sua realidade.

A professora Talita Aguiar, do Curso Progressão Autêntico, alerta que é preciso tomar cuidado com os argumentos usados em eventuais críticas a medidas do governo. "O aluno não é obrigado a falar bem do governo, mas as críticas devem ser bem fundamentadas e é preciso trazer exemplos concretos positivos, para não unilateralizar a argumentação", explica. Para isso, é bom estar a par de setores da saúde que funcionam, como o programa de vacinação.

Alternativas para o transporte público urbano
Estopim para a explosão das manifestações no Brasil, que desde o início protestavam contra o aumento das tarifas de ônibus e metrô, a questão da mobilidade urbana pode requerer soluções de candidatos na redação do Enem. Primeiro, é importante que o aluno mostre como essa questão interfere na vida dos cidadãos brasileiros. Além disso, é fundamental propor soluções sustentáveis e que não exijam gastos públicos exagerados.

Mais do que apontar os problemas, a prova exige do aluno uma proposta de solução. Como sugere a professora Ana Paula Anghinoni Ramos, do Sistema Elite de Ensino, o ideal é citar exemplos de países onde o transporte público é eficiente, como Inglaterra e Holanda. Outro caminho para sair do senso comum é citar meios de transporte alternativos, como bicicletas ou grupos de caronas organizados por meio de redes sociais.

A tecnologia como meio para a educação
Escolas particulares e públicas estão cada vez mais preocupadas em incluir tecnologias digitais na educação. Neste ano, o Ministério da Educação investiu em tablets para professores da rede pública, que podem não só ser um material didático, mas também estimular uma nova forma de educar. Se o tema da redação do Enem envolver tecnologia e educação, espera-se que o aluno aponte ações práticas que vêm sendo realizadas pelo governo ou por instituições privadas. Além de novas ferramentas, outro caminho possível é ressaltar os cursos de educação a distância, que vem crescendo, e usar um artifício chamado argumento analógico, quando o aluno compara gerações diferentes.

Argumentos contra o uso da tecnologia, neste caso, só funcionam se estiverem muito bem embasados e se o aluno fizer um contraponto com outros argumentos positivos. "É possível fazer uma defesa parcial, dizer que há aspectos positivos e negativos, mas é preciso que haja mais argumentos positivos, que concordem com o enunciado do tema", ressalta a professora Marina Loureiro. Apenas dois argumentos, um positivo e um negativo, não são suficientes, pois o Enem exige que o aluno escreva uma dissertação opinativa, não apenas expositiva. 

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Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra