Educação estaria passando pela maior inovação em 200 anos, diz revista

13 nov 2012
10h12
atualizado às 10h43

O cientista de computação Anant Agarwal lançou uma pergunta em um projeto de aulas online da Harvard: qual foi a maior inovação na educação nos últimos 200 anos? Agarwal foi nomeado esse ano para coordenar a EdX, uma faculdade digital gratuita da Harvard, nos Estados Unidos O objetivo do cientista com a questão inicial é confirmar se novas formas de educação digital prometem mesmo um futuro promissor para a área.

De acordo com a revista MIT Technology Review , para Agarwal, a educação está prestes a mudar dramaticamente. A razão disso é o poder da internet e suas tecnologias que 'mastigam' os dados apresentados. Graças a essas mudanças, é possível compartilhar online aulas em vídeo com elementos de interatividade sofisticados, e pesquisadores podem coletar dados de estudantes para ajudar a tornar o ensino ainda mais efetivo. A tecnologia é poderosa, barata e global. A EdX espera, com o novo projeto, ensinar bilhões de estudantes.

A educação online não é novidade - nos Estados Unidos, mais de 700 mil estudantes fazem cursos a distância em tempo integral. O que é diferente é a escala de tecnologia sendo aplicada por líderes que misturam alcances de mentes brilhantes com modelos de internet baratos e concorridos. O artigo que será publicado com o relatório do negócio irá mapear o impacto da educação gratuita online, particularmente o grande número de cursos online (MOOC, na sigla em inglês) oferecidos por novos empreendimentos da área educacional.

Por ser economicamente importante, a educação ainda parece ineficiente e estática em se tratando de tecnologia - é geralmente citada como a próxima indústria a sofrer uma grande "interrupção". A ideia está sendo promovida por Clayton Christensen, professor da Harvard Business School que adotou o termo "tecnologia dividida". Em dois livros educacionais, ele destaca o aprendizado online dizendo que o mesmo vai continuar a se espalhar e melhorar e, eventualmente, irá liderar muitas ideias de como ensinamos - e algumas instituições também.

Na visão de Christensen, as tecnologias divididas encontram o sucesso inicialmente em mercados "onde a alternativa é nada". Isso explica por que o aprendizado online já é importante no mercado de educação adulta. Também explica o crescimento repentino de organizações como a Khan Academy, que divulga vídeos gratuitos ensinando matemática e ganhou financiamentos de Bill Gates e atenção da mídia. O primeiro apoio para a companhia surgiu entre pais que não podiam pagar US$ 125 por hora por um professor de matemática particular. Para eles, o narrador dos vídeos Salman Khan foi um ótimo substituto.

Outro benefício das aulas online é a favorável distribuição de instruções aos estudantes. Segundo Agarwal, o mesmo grupo de três pessoas contendo um professor e dois assistentes que costumava ensinar 400 alunos pode agora compartilhar o conteúdo com mais de 10 mil estudantes na internet.

Um estudo recente da Babson College mostrou que o número de universitários americanos que fizeram ao menos um curso online cresceu de 1,6 milhão em 2002 para 6,1 milhões - cerca de um terço de todos os universitários - em 2010. Os pesquisadores I. Elaine Allen e Jeff Seaman encontraram sinais de que a média de crescimento de aulas na internet pode estar começando a diminuir. Porém, seu estudo não antecipou a entrada de universidades conceituadas na educação online neste ano. Coursera, uma aliança entre a Universidade Stanford e duas dúzias de outras escolas, registrou o cadastro de 1,5 milhão de estudantes em cursos online.

Mesmo que uma pequena fração desse número vá completar uma aula, o aumento do MOOC significa que podemos começar a pensar como uma educação gratuita e de qualidade poderia mudar o mundo. Os vídeos de Khan, por exemplo, são populares na Índia, e um levantamento mostrou que 60% dos estudantes que assistiram aos vídeos tiveram interesse voluntariamente no conteúdo. Ainda não se sabe o que um aplicativo liberal de educação poderá fazer. Será que vai aumentar demais a inovação global por desmontar barreiras de boas instruções? Vai ameaçar professores da rede pública por terem a opção da internet?

A definição será feita pela tecnologia. Todos esses milhões de estudantes clicando online podem ter o progresso rastreado e até mesmo influenciado para, no futuro, auxiliar nos métodos de ensino. Será que o novo método fará sucesso por ser totalmente diferente? Se a resposta for positiva, então teríamos a resposta à pergunta inicial: o aprendizado online é a mais importante inovação na educação nos últimos 200 anos.

Terra

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