Dez curiosidades que você não sabia sobre a festa junina

Entenda a história e conheça as lendas dos festejos que agitam o Brasil no mês de junho (e julho também!)

24 jun 2015
09h45
atualizado em 25/6/2015 às 13h43
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Quando ouvimos falar em festa junina logo vem à mente as quadrilhas, as barraquinhas com comida farta, os fogos de artifício... Mas nem todos conhecem as histórias que originaram esses festejos. Quem foi Santo Antônio? De qual país herdamos a dança típica de São João? Listamos dez curiosidades sobre as festas de junho para você curtir a folia muito bem informado.

Festa junina x festa de São João
Em vez de junina, muitas pessoam chamam os festejos de São João, porque 24 de junho, data do auge das festividades, é exatamente o dia em que se comemora o aniversário de São João Batista, o santo festeiro. Seu nascimento coincide com o solstício de verão (inverno na América do Sul), época em que os moradores do campo festejam a proximidade das colheitas, e para afastar os demônios da esterilididade, pestes dos cereais e estiagens, faziam sacrifícios acendendo fogueiras. Também fazem parte da tradição, danças ao redor do fogo e saltos sobre as chamas.

Foto: Marcos Borges / Prefeitura de Aracajú

A festa junina teve origem na Idade Média na celebração dos chamados Santos Populares: Santo António, São Pedro e São João. A tradição chegou ao Brasil por meio dos portugueses e incorporadas aos costumes dos indígenas e, depois, dos afrobrasileiros. Outros países europeus cristianizados, dos quais partiram migrantes rumo ao Brasil, também teriam tido participação na adoção dessas festividades pelo brasileiro. 

A fogueira de São João
São João foi primo de segundo grau de Jesus. Ele ainda estava na barriga da mãe, Isabel, quando esta prometeu à prima, Maria, avisá-la assim que ele nascesse. Na noite em que deu à luz São João, ergueu um mastro em frente a sua casa, iluminando-o com uma grande fogueira. Daí surgiu o costume de acender uma fogueira durante a festa junina.

Há quem diga que essa história não passa de uma lenda católica que "cristianizou" as fogueiras, que fazia parte da antiga tradição pagã de celebrar o solstício de verão e que aos poucos teria se tornado, na Idade Média, um atributo da festa de São João Batista. Entre os costumes católicos, a festa junina é marcada pelo levantamento do mastro de São João.

Cada santo com sua fogueira
Cada santo tem a sua fogueira. A fogueira de Santo Antônio tem a base quadrara, conhecida como chiqueirinho. A de São João tem a base redonda, o que dá à fogueira um formato cônico. Já a de São Pedro tem a base triangular.

Foto: Marcos Borges / Prefeitura de Aracajú

Quadrilha, homenagem aos santos juninos
A quadrilha tem suas origens na dança de salão francesa em voga entre o início do século XIX e a Primeira Guerra Mundial. Passou a ser dançada ao ar livre, nas festas juninas, em louvor a São João, Santo Antônio e São Pedro, para agaradecer as boas colheitas na roça.

A chamada quadrille teria vindo para o Brasil por causa do interesse da classe média e das elites portuguesas e brasileiras do século XIX por tudo o que fosse moda em Paris. Ela se popularizou, fundindo-se com danças brasileiras e florescendo com maior intensidade no Brasil rural.

Quem foi Santo Antônio?
Fernando de Bulhões nasceu em Lisboa em 1195. Mudou seu nome em 1220 para Santo Antônio, quando ingressou na Ordem Franciscana. Padroeiro dos pobres e conhecido como santo casamenteiro é invocado também por quem quer encontrar objetos perdidos.

Em 13 de junho, as igrejas costumam distribuir os tradicionais pãezinhos de Santo Antônio. Em vez de comê-lo, o pão deve ficar guardado em uma lata de mantimento para garantir fartura de comida durante o ano.

Outra das várias simpatias de Santo Antônio consiste em quebrar um ovo gelado dentro de um copo branco com água. No dia seguinte, antes de o nascer do sol, se o copo estiver coberto por uma névoa branca é sinal de que quem fez a simpatia vai casar antes do dia de Santo Antônio do ano seguinte.

Foto: Paulo Pinto / Fotos Públicas

São Pedro, o primeiro papa
São Pedro, pescador e apóstolo de Jesus, é conhecido como o santo dos pescadores e das viúvas, guardião das chuvas e porteiro do céu. Seu nome verdadeiro era Simão, mas passou a ser chamado por Pedro por Jesus Cristo, quem lheu incubiu de fundar a Igreja e reunir os fiéis após a sua morte. O dia 29 de junho é dedicado a São Pedro. É nesta data que se rouba o mastro de São João para marcar o fim das festas juninas. 

A brincadeira do pau-de-sebo
Diferente do utilizado para os santos juninos, o pau-de-sebo é um mastro de madeira envernizada de cerca de cinco metros de altura. Seu preparo é feito com muito cuidado. Primeiro se tiram todos os nódulos da madeira para que ele seja lixado, e só então é passado o sebo de boi ou cera. A brincadeira consiste em tentativas de subir ao topo e garantir prendas. 

Balões e fogos de artifício
O uso de balões são um costume trazido pelos portugueses para o Brasil. No nosso país, ele está relacionado com o uso tradicional da fogueira e dos seus efeitos visuais. De cinco a sete balões eram soltos para avisar que a festança estava para começar. Os fogos de artifício, por sua vez, servem para despertar São João Batista, de acordo com a tradição popular.

Foto: Paulo Pinto / Fotos Públicas

Festa junina nordestina
A festa junina é comemorada em todas as regiões do Brasil, mas é no Nordeste que ocorre a maior celebração, com comidas típicas farta, "casamento na roça" e, principalmente, forró. É muito comum a formação de grupos festeiros que andam e cantam pelas ruas da cidade, degustando as comidas e as bebidas deixadas nas janelas e portas das casas pelos moradores. Além de levar alegria aos nordestinos, as festas proporcionam um boom econômico graças aos turistas que visitam as cidades nordestina no período. 

Tradicional banho de São João
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional abriu processo para registrar o banho de São João como bem cultural imaterial nacional. No último dia da festa de São João, em Corumbá, moradores e devotos do santo descem até o Porto Geral do município com a imagem em mãos para banhá-la no Rio Paraguai. 

Fonte: Terra
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