Crowdlearning vai além da sala de aula e divide conhecimento

Dividindo conhecimento, crowdlearning vai além da sala de aula

15 fev 2012
10h18
atualizado às 10h40

Pessoas que dominam algum tipo de conhecimento e têm vontade de compartilhar o saber - pode ser uma conversa sobre empreendedorismo, um debate sobre um campo da literatura ou uma técnica para conquistar todos os territórios no jogo de tabuleiro War. Esse é o espírito do crowdlearning: basear-se no conhecimento coletivo para promover a aprendizagem de assuntos de interesse comum.

Promover encontros de rápida duração, a baixo custo e que possibilitem aos participantes pensar, interagir e se inspirar é um dos objetivos do Nós Lab, festival de workshops colaborativos que ocorre em Porto Alegre em março. A proposta, no entanto, deve continuar mesmo depois da maratona entre os dias 15 e 28. Segundo um dos organizadores da iniciativa, Walker Massa, a ideia é estimular a troca de informações.

Se alguém acredita ter conhecimento suficiente sobre determinada área e quiser dividi-lo com outras pessoas, pode sugerir um workshop para a organização do Nós, que avalia a capacidade técnica e didática do futuro ministrante. "Queremos oficinas interativas", diz Massa. Se aprovada, a opção entra em votação, no site do projeto. É aí que o público entra: na página, é possível votar nos cursos pelos quais o usuário mais se interessa. Os vencedores saem do papel e ganham as salas do NósCoworking, espaço onde acontece o festival.

O projeto tem apoio do Nos.vc, plataforma de crowdleraning que promove cursos, oficinas e debates de todos os tipos. O site permite que os usuários indiquem cidades para receber o evento - e os assuntos vão de fotografia a culinária, passando por educação, finanças e novos modelos de negócio. Em Porto Alegre, a ideia é falar sobre empreendedorismo, mas Massa afirma que há espaço para outras abordagens. "Nosso foco é tecnologia, marketing e gestão, mas temos também o freestyle, em que qualquer assunto pode ser abordado", afirma. O organizador garante que o principal objetivo é estimular as pessoas a criarem e pensarem juntas.

Para especialista, troca deve ser estimulada
Para a professora do Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco Ester Rosa, esse tipo de iniciativa é saudável. Ainda que muitos dos que ministram um workshop sobre determinado assunto não necessariamente tenham formação acadêmica na área, ela garante que essa é uma boa maneira de estar em contato com assuntos que podem não ser abordados em sala de aula. "Posso ser formada em determinada área, mas sou ambientalista e quero discutir questões relacionadas à Mata Atlântica, por exemplo. Dessa maneira, posso encontrar pessoas com interesses semelhantes", opina.

Para Ester, esse tipo de iniciativa não vai contra os preceitos da academia. "O crowdleraning não põe em cheque o papel do professor nem a sua função pedagógica. Ele continua sendo uma pessoa capaz de abrir portas", afirma. Segundo professora, workshops como esse devem ser um complemento à formação acadêmica. "Eles não substituem a faculdade, mas podem ajudar um profissional a se tornar mais completo, com mais referências", diz.

Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra
publicidade