Cremesp promete recusar registro de médicos que boicotarem prova

Universidades: não precisamos de prova para dizer que medicina é ruim

9 nov 2012
15h25
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Angela Chagas

O Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) reagiu à promessa de estudantes de universidades públicas e privadas de boicotar a prova obrigatória para avaliar o conhecimento dos médicos formados no Estado. De acordo com o coordenador do exame, Bráulio Luna Filho, uma comissão jurídica vai avaliar todos os casos e, se for confirmada a intenção de boicotar o teste, os estudantes envolvidos não terão seu registro profissional expedido pelo conselho, ficando impedidos de exercer a medicina.

A prova, aplicada desde 2005, passou a ser obrigatória para os estudantes do 6º ano na edição de 2012, que ocorre neste domingo. Os formandos não precisam acertar um número mínimo de questões, basta que participem do exame para obter o registro. No entanto, alunos de pelo menos três universidades - Unicamp, Unesp e Faculdade de Medicina de Marília - organizaram um protesto contra a prova. A ideia é marcar a alternativa "b" como resposta em todas as questões para representar o boicote.

No entanto, para o conselho estadual, essa intenção dos estudantes pode ter consequências futuras. "Não acredito que um médico vá boicotar a prova, porque ele vai sofrer consequências. O nosso setor jurídico já está preparado para examinar esses casos e poderá considerar as provas nulas. O médico não vai receber carteira do Cremesp", disse Luna Filho.

Embora tenha concordado que os estudantes poderão obter na Justiça o direito de exercer a profissão, ele alega que o conselho está preparado, com o suporte de advogados, para enfrentar esses casos. "Se entrar na Justiça, vamos tentar caçar isso. Não estamos exigindo nada demais, apenas que colaborem com a melhoria do sistema médico. O que custa cinco horas de sua vida para melhorar a formação médica?", questiona.

Embora afirme que os resultados do exame são sigilosos, tanto o desempenho dos alunos quanto o das faculdades, Luna Filho diz que o boicote pode representar problemas na relação com o Cremesp. "Esse médico vai conviver com o conselho por, em média, 40 anos, que é o tempo que vai exercer a profissão. Essa infração na avaliação vai ficar arquivada aqui, na ficha dele, e claro que pode resultar em algum problema no futuro. Eu não acredito que (os estudantes) vão fazer isso (boicotar a prova)", argumentou.

A intenção do Cremesp é tornar a aprovação na prova - com o acerto de 60% das questões - uma exigência para todos os médicos que pretendem entrar para o mercado de trabalho, assim como já funciona com os bacharéis em Direito com o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Um projeto de lei, de autoria do então senador Tião Viana (PT-AC), está em tramitação no Senado para permitir que seja feito um exame nacional de avaliação médica.

Para o Cremesp, a prova é uma forma de colaborar com a melhoria do ensino da medicina. Segundo Luna Filho, hoje o Estado conta com 37 escolas de medicina, "algumas excelentes, outras nem tanto". "Vários alunos chegam até nós pedindo ajuda porque as escolas têm problemas, muitas não têm nem hospitais. Chegam ao quinto ano sem ter visto um paciente, aprendem só com bonecos", disse ao reforçar que é "preocupante" a formação dos médicos que vão lidar com a saúde da população.

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