Contra médicos estrangeiros, 2 mil fazem manifestação em MG

3 jul 2013
19h46
atualizado às 20h20
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Cerca de 2 mil médicos e estudantes de Medicina fizeram uma manifestação nesta quarta-feira, em Belo Horizonte. Entre as principais reivindicações, eles pedem pela não contratação de profissionais da área de fora do País sem a revalidação do diploma feita pelo Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos e por mais estrutura nos locais de trabalho.

Médicos cantaram o Hino Nacional na Praça 7 e pediram melhorias na saúde
Médicos cantaram o Hino Nacional na Praça 7 e pediram melhorias na saúde
Foto: Marcellus Madureira / Especial para Terra

A passeata iniciou por volta das 16h, na região hospitalar, no centro de Belo Horizonte, e se estendeu pela Praça 7, no coração da capital mineira, onde cantaram o Hino Nacional. Depois, os manifestantes partiram para o plenário da Associação Médica de Minas Gerais (AMMG), para uma assembleia e discutiram os rumos dos protestos da categoria.

Um dos líderes do movimento em Belo Horizonte, o presidente da Associação Médica, Lincoln Lopes Ferreira, explicou que o movimento é importante para mostrar a indignação para a população. “Quando você está dentro da instituição as coisas acontecem de maneira pontual, as pessoas passam a maior parte do tempo sadias e não conseguem perceber o que acontece. Então é importante mostrar que não estamos satisfeitos com essas medidas que estão sendo tomadas, entre elas de atribuir os problemas do sistema público de saúde aos médicos. Falta saúde digna aos brasileiros. Então situações acontecem e isso não chega ao público. Queremos mudar esse quadro”, avaliou.

Lincoln defendeu a revalidação de diploma de estrangeiros. “Eles estão quebrando leis. O exercício da função é previsto com diploma reconhecido e registro no Conselho de Medicina. Com isso, este profissional está apto a exercer as atividades e inclusive a responder por seus atos. Deste jeito não vai ter mais qualificação profissional”, afirmou.

Com 30 anos de medicina, Regina Souza Santos, explica que a revolta com a proposta do governo federal de trazer médicos de fora lhe levou às ruas.

“Eu fico indignada de saber que estão trazendo médicos estrangeiros que não tiveram a qualidade de formação que tivemos aqui. Nós estudamos seis anos e temos mais dois de residência e ela quer trazer médicos que estudaram apenas quatro anos. Eles não têm uma formação adequada. Vão vir para tratar de pessoas no SUS. Então a saúde vai ficar dividida em tratamento para SUS e tratamento para quem tem condições de pagar por um plano”, argumentou.

Após a assembleia realizada na Associação Médica de Minas Gerais, a categoria deverá criar uma carta de reivindicações e mostrar a indignação com os últimos acontecimentos e depois encaminha-la para o governo federal.

Médicos fazem paralisação
Todos os Estados têm manifestações de médicos marcadas para esta quarta-feira. As entidades deixaram claro que os atendimentos de urgência e emergência funcionarão normalmente. Para os médicos, o País tem número suficiente de profissionais para suprir a demanda, e se houvesse uma estruturação das unidades de saúde e a criação de uma carreira, os vazios assistenciais seriam preenchidos.

Médicos e estudantes protestam na avenida Paulista, em São Paulo, contra a proposta do governo de trazer profissionais da saúde do exterior Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
Médicos e estudantes protestam na avenida Paulista, em São Paulo, contra a proposta do governo de trazer profissionais da saúde do exterior
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra

O Ministério da Saúde anunciou, no dia 25 de junho, que criará 35 mil vagas para médicos no Sistema Único de Saúde (SUS) até 2015. De acordo com a pasta, serão contratados profissionais que se formaram no exterior para ocupar os postos que não forem preenchidos por médicos com diplomas brasileiros.

O plano do governo é criar programas de autorização especial para que os profissionais que se formaram fora do País só possam atuar na atenção básica, nos municípios do interior e nas periferias das grandes cidades. Caso sejam aprovados no Revalida, esses médicos terão liberdade de trabalhar em qualquer lugar do País.

Fonte: Especial para Terra
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