Conselho quer punir faculdade que não aprovar médicos em exame

Senador quer punição de faculdade que não aprovar médicos em exame

10 nov 2012
10h50
Angela Chagas

Apesar de apresentar restrições ao modelo de prova adotado no Estado de São Paulo para avaliar os futuros médicos, o Conselho Federal de Medicina (CRM) é favorável a aplicação de uma avaliação nacional dos estudantes. No entanto, para o conselho, isso deve vir aliado a uma punição para as instituções de ensino que não apresentarem um desempenho satisfatório na prova.

"A qualidade da medicina precisa melhorar muito no País e esse avanço depende de vários fatores. Precisamos começar a mudar isso pela punição às escolas pelos maus profissionais que colocam no mercado", afirma Desireé Carlos Callegari, médico anestesiologista e conselheiro do CFM. Segundo ele, um estudante que paga em média R$ 4,5 mil - padrão do Estado de São Paulo - em uma universidade privada não pode ser o único responsável pelo mau desempenho nas avaliações.

No domingo, mais de 2 mil estudantes do 6º ano de medicina do Estado de São Paulo farão uma prova obrigatória elaborada pelo Conselho Regional de Medicina (Cremesp) para avaliar a formação dos novos médicos. A participação no exame, independente do resultado, é critério para que os formandos consigam o registro profissional.

A ideia dos conselhos de classe é tornar o exame uma prova nacional. Um projeto de lei de autoria do então senador Tião Viana (PT-AC) tramita na Câmara dos Deputados e propõe uma espécie de Exame de Ordem - prova obrigatória para os bacharéis em direito - para os estudantes de medicina. "O que estamos avaliando ainda é que essa prova precisa ter um caráter punitivo para as instituições de ensino", diz o relator do projeto de lei, deputado Cyro Miranda (PSDB-GO).

O exame aplicado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) impede que os bacharéis reprovados na prova exerçam a profissão. No entanto, não estipula nenhuma regra para as universidades. "O que se vê é que nos últimos cinco anos algumas faculdades não conseguiram aprovar nenhum aluno. O que aconteceu com elas? Nada, porque o exame da OAB não tem esse poder de interferir nas faculdades", diz o deputado.

Para o representante do conselho federal, a fiscalização dos cursos é uma atribuição do Ministério da Educação (MEC), mas como o órgão "não cumpre com sua função", a sociedade acaba assumindo esse papel. "Temos inúmeras faculdades sem condições mínimas para funcionar, sem hospitais, sem professores, sem laboatórios. Mas ao contrário de fechar essas escolas, o MEC está ampliando vagas e não e está preocupado com qualidade. Quanto mais melhor", critica Callegari.

Embora concorde que uma única prova ao final do curso, como é o exame do Cremesp, não seja o ideal, ele defende que a avaliação vai ajudar a garantir um diagnótico sobre a formação dos médicos. "O bom mesmo seria que tivéssemos avaliações seriadas, ao longo do curso, mas isso é de difícil execução e teria um custo muito elevado", afirma.

Número de faculdades
O Brasil possui atualmente 197 faculdades de medicina. O Estado com o maior número de cursos é São Paulo, com 36. "Em SP temos um médico para 240 pessoas. Já no interior de Roraima temos um médico para 10,5 mil habitantes. O problema não é a falta, mas a distribuição", diz Callegari. Segundo ele, a solução do problema não está na ampliação dos cursos, e sim na definição de um plano de carreira para os médicos.

A ideia do Conselho Federal é que os possam começar a carreira nas regiões mais afastadas dos grandes centros, e progredindo ao longo dos anos. "Isso já e feito nas carreiras jurídicas", explica o conselheiro.

De acordo com o senador Cyro Nogueira, o relatório sobre o projeto só deve ser apresentado em fevereiro de 2013, quando a proposta poderá ser colocada em votação.

PROVA DO CREMESP

A prova, aplicada desde 2005, passou a ser obrigatória para os estudantes do 6º ano na edição de 2012, que ocorre neste domingo. Os formandos não precisam acertar um número mínimo de questões, basta que participem do exame para obter o registro.

O exame: a prova será composta de 120 questões objetivas de múltipla escolha, com cinco alternativas cada, compreendendo nove áreas - clínica médica, clínica cirúrgica, pediatria, ginecologia, obstetrícia, saúde mental, saúde pública/epidemiologia, ciências básicas e bioética;

Quem faz: segundo o Cremesp, 2.924 estudantes estão inscritos para a prova, que destina-se aos formandos de 2012 que já solicitaram ou vierem a solicitar registro primário em São Paulo, independente do Estado de sua formação;

Horários: os locais de prova estarão abertos a partir das 8h30 de domingo e os portões serão fechados às 9h. A prova terá duração de cinco horas.

INFOGRÁFICO

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Fonte: Terra

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