Com caixões, médicos fecham av. Paulista e protestam contra o governo

Entidades de classe ameaçam ir à Justiça contra serviço obrigatório de médicos recém-formados no SUS

16 jul 2013
16h56
atualizado em 17/7/2013 às 07h55
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Mais de mil manifestantes contrários ao programa Mais Médicos foram às ruas de São Paulo nesta terça-feira em um protesto que durou quase três horas e terminou na avenida Paulista, no centro da cidade. Os manifestantes, em sua maioria médicos e estudantes de medicina, também protestaram contra a "importação" de profissionais da saúde de outros países sem realização de um exame para a validação do diploma no País; criticaram a aplicação da prova Revalida (voltada para formados fora do Brasil) a estudantes graduados em instituições brasileiras; e pediram a aprovação de um projeto de lei que determina que a União invista 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em saúde pública.

"De repente, o problema da saúde pública no Brasil não é mais a falta de investimento: é a falta de médicos. Mas a falta de médicos é justamente uma consequência da falta de investimentos em saúde pública", disse o presidente do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), Renato Azevedo Junior, em entrevista concedida antes da passeata.

O presidente do Cremesp também fez críticas ao ministro Alexandre Padilha (Saúde), que na semana passada anunciou que irá encaminhar para votação no Congresso uma Medida Provisória para que os recém-formados em medicina passem dois anos trabalhando exclusivamente no Sistema Únido de Saúde (SUS), para só então obter o registro profissional.

"Qualquer coisa de caráter obrigatório não funciona", disse. Segundo Azevedo, o Cremesp e outras entidades de classe nacional estudam ir à Justiça contra a medida, que consideram "inconstitucional", e pretendem ajuizar uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), caso a MP passe no Legislativo.

"O Executivo está querendo legislar sem debater com ninguém. O assunto nem poderia ser regido por uma MP, porque não é urgente, já que vale a partir de 2015 (se aprovada)", completou.

O Cremesp também defendeu a criação de um plano de carreira para os médicos que se dedicam a trabalhar no SUS, principalmente em regiões de difícil acesso. "O médico, de repente, se tornou o vilão desse sistema, mas quando na verdade ele é a vítima. Os médicos não vão aos locais de difícil acesso porque não tem infraestrutura", reclamou.

Caixões e bloqueio da av.Paulista
O protesto começou por volta das 17h na rua da Consolação, no centro da capital paulista, e percorreu algumas das principais vias da cidade. O plano inicial era de que o protesto terminasse no Largo São Francisco, mas os manifestantes continuaram a passeata até a avenida Paulista, contrariando a orientação do Cresmesp, que na entrevista havia dito que evitaria a região devido ao número de hospitais próximo àquela avenida.

A manifestação ocorreu de maneira pacífica, com duras críticas ao governo federal. Durante o percurso, os manifestantes carregaram três caixões com as fotos da presidente Dilma Rousseff e dos ministros Alexandre Padilha e Aloizio Mercadante (Educação).  No trajeto, os manifestantes entoavam frases de efeito, como: "Ei, Dilma, vai tratar no SUS" e "Fora, Padilha". Também cantaram o hino nacional diversas vezes.

A categoria agora pretende realizar uma nova manifestação de caráter nacional no próximo dia 8 de agosto, e promete fazer mais manifestações nas ruas, caso o governo não recue das medidas anunciadas.

Colaborou com esta notícia o internauta Fernando Souza, de São Paulo (SP), que participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.

Fonte: Terra
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