Após repressão, estudantes chilenos cobram renúncia de ministro

Após repressão, estudantes chilenos cobram renúncia de ministro

5 ago 2011
16h30
atualizado às 17h31

Estudantes chilenos cobraram nesta sexta-feira a renúncia do ministro do Interior do país, Rodrigo Hinzpeter, por considerar as repressões contra as manifestações estudantis "desproporcionais". Segundo a presidente da Confederação dos Estudantes da Universidade do Chile (Confech), Camila Vallejo, Hinzpeter "tem que assumir as consequências disto, porque se (ele) quis estabelecer a ordem pública e a segurança cidadã, fez tudo ao contrário".

Ela ainda classificou como "inaceitável" a repressão aplicada pela polícia durante as manifestações convocadas ontem por estudantes e professores que reivindicavam melhorias no setor educacional do país. "Nos parecem inaceitáveis muitas das práticas que foram cometidas, de repressão, de transgressão a muitos direitos constitucionais, sobretudo ao de reunião, que todos os cidadãos têm garantido e que neste momento foram violados", acrescentou a presidente.

Forças Policiais chilenas reprimiram estudantes na última quinta-feira com o uso de bombas de gás lacrimogêneo e jatos de água, impedindo as manifestações. Segundo a imprensa local, a polícia chilena estava adotando várias medidas para evitar a concentração de qualquer grupo de estudantes em Santiago. Pelo menos 874 pessoas foram detidas pela polícia.

O ministro do Interior havia afirmado na quarta-feira que qualquer protesto seria considerado "fora da lei". "As marchas se encontram fora da margem da lei porque não foram autorizadas. Parece-me inconveniente que os movimentos estudantis e o Colégio de Professores se sintam no direito de realizar mobilizações. No Chile, ninguém está sobre a lei", disse.

A Confech confirmou uma greve nacional do setor educacional que será realizada na próxima terça-feira. Há cerca de dois meses, uma ampla mobilização estudantil, que chegou a reunir cerca de 400 mil pessoas nas ruas do Chile no final de junho, pede melhorias na educação.

Novos protestos
Os estudantes do Ensino Médio do Chile convocaram uma nova greve nacional na expectativa de que o governo melhore a proposta para solucionar o conflito. Segundo disseram nesta sexta-feira dirigentes estudantis, a nova greve será realizada na próxima terça-feira, dia em que solicitarão às autoridades permissão para promover manifestações na Plaza Italia e na Alameda Bernardo O''Higgins, em Santiago, que na quinta-feira foram proibidas.

Com informações das agências Ansa e EFE.

Em mais um dia de protestos, pelo menos 874 estudantes foram presos e dezenas ficaram feridos em confrontos com a polícia na quinta-feira
Em mais um dia de protestos, pelo menos 874 estudantes foram presos e dezenas ficaram feridos em confrontos com a polícia na quinta-feira
Foto: Reuters
Fonte: Terra
publicidade