Aluno com bolsa integral do Prouni vai gastar R$ 70 mil para concluir curso

Para o estudante Volney Ferraz, que faz o curso de Ciências Aeronáuticas da PUCRS, o custo para voar o mínimo de 150 horas pode chegar a R$ 70 mil

18 nov 2013
09h27
atualizado às 13h01
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O estudante Volney Ferraz, 19 anos, ganhou uma bolsa integral para realizar o sonho de ser piloto, por meio do Prouni
O estudante Volney Ferraz, 19 anos, ganhou uma bolsa integral para realizar o sonho de ser piloto, por meio do Prouni
Foto: Arquivo Pessoal / Cartola - Agência de Conteúdo

Quando um estudante é selecionado para bolsa de estudos do Programa Universidade para Todos (Prouni) ele assina uma Declaração de Situação Socioeconômica. O documento indica que, para bolsas integrais, a família não tem renda maior que um salário mínimo e meio (R$1.017), por pessoa. O problema é que a vida universitária ultrapassa os portões de entrada e os gastos vão além da matricula e da mensalidade. Os custos de estar em uma faculdade não são baixos. Existem gastos com livros, materiais, transporte, alimentação e até moradia. Em alguns cursos existem gastos extras específicos como arquitetura, que precisa de materiais para fazer trabalhos e maquetes, e odontologia, em que o aluno necessita de seu kit de ferramentas e outros materiais.

Para o estudante Volney Ferraz, 19 anos, que faz o curso de Ciências Aeronáuticas da PUC-RS, o custo para voar o mínimo de 150 horas pode chegar a um total de R$ 70 mil. Isso porque para concluir a formação, é necessário ter a licença de Piloto Comercial Multi/IFR (aviões multimotores, por instrumentos) e um dos pré-requisitos é a licença de Piloto Privado. A cada etapa do curso, são necessárias horas de voo que variam de preço pelo tipo de avião. Para as primeiras aulas, Volney encontrou um avião simples com hora a cerca de R$ 280. O valor para as 15 primeiras horas foi pago pelo pai, que pediu ajuda a um amigo, a quem paga o empréstimo até hoje.

Conforme o aluno avança no curso, sobem os preços: as horas de voo em um avião multimotor passam dos R$ 1.000.  Além disso, existem taxas para realização de exames obrigatórios. Volney conseguiu chegar até o terceiro semestre da faculdade, mas, a partir de agora, várias disciplinas têm requisito de horas de voo como piloto privado e comercial. 

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informa que já formou uma comissão para criação de programas de fomento das horas de voo. O novo processo de concessão prevê que parte das bolsas oferecidas pela agência sejam destinadas a alunos do Prouni. A Anac pretende divulgar as informações sobre o edital ainda este ano. Mas, por enquanto, o programa está parado.

Com ajuda do pai, o garoto abriu uma ação contra a universidade e a União. “É contraditório. Como poderia arcar com essa despesa se um requisito da bolsa é a comprovação de carência?” Hoje, ele está estudando na França, com uma bolsa do programa Ciência Sem Fronteiras, e volta em julho do ano que vem. Até lá, espera encontrar uma solução; se não, provavelmente terá de desistir do sonho de pilotar. “Seria incrível poder conhecer lugares e culturas nos próprios locais. É uma profissão que aproxima as pessoas”, diz.

O coordenador do curso de Ciências Aeronáuticas da instituição, Hildebrando Hoffmann, afirma que não existem propaganda enganosa: as informações sobre o curso estão disponíveis no site da universidade e do Prouni. “Não creio que seja necessário retirar o benefício aos alunos do curso. Já tivemos diversos casos de sucesso”, explica. Ele conta que o programa oferece pelo menos 60% do curso gratuitamente e ajuda muitas pessoas.

Para ele, a solução que diversos alunos encontram é de pedir ajuda a familiares ou conhecidos do círculo social. Ele diz ainda que torce pelo caso de Volney e espera vê-lo graduado e no mercado de trabalho em breve. 

O professor de Língua Portuguesa Valdemir Vicente, 29 anos, é formado em Letras pela PUC-RS através de bolsa integral do Prouni. Apesar de enxergar os benefícios do programa, Vicente aponta a falta de assistência como uma grande falha. “Não adianta só colocar o aluno dentro da universidade”, opina.

Como morava em Gravataí, região metropolitana de Porto Alegre, ele gastava cerca de R$ 6 para chegar à universidade - R$ 240 por mês. Ele conta que teve que buscar empregos fora de sua área de estudo para se sustentar. “Queria participar de uma bolsa de iniciação científica, mas não podia, pois precisava de dinheiro”, explica.

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