Alguns países têm 1,2 mil horas de aula por ano, diz pesquisador

Alguns países têm 1,2 mil horas de aula por ano, diz pesquisador

15 set 2011
17h56
atualizado às 17h57

Enquanto no Brasil o ano letivo é de 800 horas distribuídas em 200 dias, em alguns países da Europa, Ásia e até mesmo América Latina, a jornada chega a 1,2 mil horas anuais, como no México, ou 1,1 mil horas, como na Argentina. É o que apontou o professor da Universidade Católica do Chile, Sérgio Martinic, durante o Congresso Internacional Educação: uma Agenda Urgente, que discutiu o assunto. Esta semana, o ministro da Educação, Fernando Haddad, anunciou que o governo pretende ampliar o tempo de permanência do aluno da escola, mas ainda estuda se isso será feito pelo aumento do número de horas diárias ou dos dias letivos.

Martinic ressaltou, entretanto, que o tempo de permanência na escola não é determinante na melhoria da aprendizagem. O sucesso escolar depende também de outros fatores, como a infraestrutura e insumos disponíveis, a formação do professor e as tarefas desenvolvidas. Segundo ele, a Finlândia, que tem jornada diária de cinco horas e poucos dias letivos, tem resultados superiores nas avaliações educacionais aos da Espanha, que tem uma carga diária maior.

"Não se demonstra efetivamente que há uma relação estrita entre qualidade pedagógica e o tempo comprometido. O esforço tem que ser para que o tempo extra seja motivante e comprometa o aluno", disse Martinic. Ele chamou a atenção também para o fato de que o "tempo oficial" não é integralmente o "tempo da aprendizagem", já que parte dele é desperdiçado, seja por problemas de indisciplina em sala de aula, faltas de alunos e professores, greves ou mesmo eventos climáticos.

Os especialistas que participaram do debate defenderam que é necessária a ampliação da jornada no Brasil. Mas os gestores das redes de ensino lembraram que há dificuldades para cumprir a tarefa, inclusive físicas. Em muitas escolas, há oferta de dois turnos diários ¿ matutino e vespertino ¿, o que dificulta a ampliação do tempo de permanência do aluno

"A ampliação passa por resoluções de problemas que não são simples, como a merenda, o transporte escolar, o espaço físico, a questão de mais recursos humanos qualificados e também financeiros. A escola hoje tem novas demandas, mas está com o mesmo tempo do passado. Ouço constantemente os professores reclamarem que falta tempo para cumprir os conteúdos", disse a professora Yvelise Arco-Verde, professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e ex-secretária de Educação daquele Estado.

O ex-prefeito de Apucarana (PR), Valter Pergorer, relatou a experiência do município. A cidade, segundo ele, conseguiu implantar educação em tempo integral para 100% da rede pública. A ampliação foi possível porque a prefeitura contou com a parceria de organizações da sociedade civil, como clubes, igrejas e grupos culturais, para que fossem oferecidas atividades aos alunos da rede no turno contrário ao das aulas.

"Não dá para ficar esperando tudo estar pronto para começar. É preciso começar do jeito que a gente está (com a infraestrutura disponível)", disse Pergorer. "O prefeito tem que ter vontade política e combinar com o povo, nós fizemos um pacto pela educação com a comunidade. E o custo é relativo, é uma questão de prioridade. O buraco na rua incomoda, mas incomoda mais a perspectiva da criança virar um marginal lá na frente", afirmou.

Agência Brasil Agência Brasil

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