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Delator de esquema de espionagem deixa Hong Kong

23 jun 2013
13h27
atualizado às 13h28

Edward Snowden teria embarcado em voo em direção a Moscou. Destino final seria Venezuela, segundo agências de notícias russas. O ex-funcionário da NSA disse a jornal chinês que EUA espionaram telefonia móvel na China.

O jornal South China Morning Post afirma em sua edição deste domingo (23/6) que Snowden estaria a caminho de Moscou em um voo comercial, porém visando um terceiro destino. A plataforma Wikileaks afirmou que auxiliou o ex-funcionário da inteligência norte-americana a conseguir asilo em um “país democrático”. Agências de notícias russas informaram que seu destino é a Venezuela, para onde iria após escala em Cuba.

O ex-funcionário da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA) revelou a existência do programa de espionagem Prism, o qual realiza grampos telefônicos e vigia atividades online. Ele também forneceu à imprensa detalhes sobre o funcionamento do Tempora, programa similar britânico que supostamente coleta informações de mesma natureza no mundo todo, através de cabos de fibra ótica. As revelações de Snowden foram veiculadas pelo jornal britânico The Guardian.

O governo de Hong Kong confirmou que Snowden “deixou Hong Kong para um terceiro país através de canais legais e normais” e que informou os Estados Unidos sobre o embarque do americano.

Um dia após ter incriminado Snowden por espionagem, as autoridades americanas confirmaram que solicitaram a Hong Kong a extradição do ex-funcionário da NSA. Acredita-se que ele deixou os Estados Unidos no início de junho.

Conflito diplomático

No comunicado divulgado neste domingo, o governo de Hong Kong alegou que o pedido dos Estados Unidos não atende completamente os critérios da lei local e solicitou mais informações a Washington para analisar se poderia responder positivamente ao pedido.

 “Hong Kong tem sido historicamente um bom parceiro dos Estados Unidos em questões de reforço da lei, e nós esperamos que eles cumpram o acordo neste caso”, havia afirmado o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Tom Donilon, em entrevista à emissora americana CBS.

O Ministério Público dos Estados Unidos entrou com uma queixa-crime contra Snowden na sexta-feira. As acusações contra Snowden podem levá-lo a ser condenado a até 10 anos de prisão por comunicação de informações de defesa nacional, revelação de informação confidencial e roubo de propriedade do governo.

China também seria vítima

De acordo com a edição online do South China Morning Post publicada no sábado, Snowden também passou informações sobre espionagem digital americana na China.

Em uma entrevista publicada no dia 12 de junho, ele teria dito ao jornal chinês que os Estados Unidos hackeou computadores em empresas chinesas de telefonia móvel assim como sedes da Pacnet de Hong Kong – empresa proprietária da “maior rede de fibra ótica submarina da região”. Ele também teria revelado que a base de dados da Universidade de Tsinghua, uma das principais instituições de ensino superior da China, também fora espionada.

O ex-funcionário da NSA mostrou ao Post documentos para comprovar as suas declarações, de acordo com o artigo.

No ano passado, Washington e Pequim se acusaram mutuamente, por diversas vezes, de espionagem cibernética. Os Estados Unidos declararam inocência, acusando a China de tentar extrair informações ilegalmente.  

EUA sob críticas

Baseado em documentos fornecidos por Snowden, o jornal britânico The Guardian revelou no início deste mês a existência do programa norte-americano Prism, que coleta informações de ligações telefônicas e registros na internet.

Apesar das tentativas de assegurar ao público que o governo não pode realizar este tipo de monitoramento sem prévia autorização judicial – após apresentar evidência que justifiquem a quebra de sigilo – a NSA e o governo dos Estados Unidos têm enfrentado pesadas críticas da opinião pública.

Os representantes da NSA alegam que o programa ajudou as autoridades a evitarem 50 “potenciais ações terroristas” desde os ataques de 11 de setembro de 2001.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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