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Por conservação, Zimbábue venderá animais selvagens

4 mai 2016
12h45
atualizado às 15h26
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O governo do Zimbábue anunciou que venderá parte de sua fauna selvagem para obter dinheiro para a conservação, em uma tentativa de lidar com a seca provocada pelo fenômeno El Niño, que ameaça tanto pessoas como os próprios animais neste país no sudeste da África.

A intenção da Autoridade de Gestão de Parques Nações do Zimbábue é convidar os potenciais clientes a apresentarem ofertas para comprar animais selvagens - as espécies não foram determinadas ainda - mas a decisão foi duramente criticada por várias organizações conservacionistas.

Pelo dos cães selvagens do Zimbábue faz uma camuflagem natural na luz solar.
Pelo dos cães selvagens do Zimbábue faz uma camuflagem natural na luz solar.
Foto: John Moore / Getty Images

Veteranos ativistas, como o diretor da Força Especial para a Conservação (ZCT), Johnny Rodrigues, denunciaram à Agência Efe que se tenta um movimento mais para espoliar os recursos do país.

"É fácil ver o que há por trás disto: a avareza e a corrupção de poucos caciques que vão ganhar um bom dinheiro, que certamente não se destinará à conservação" dos parques, afirmou Rodrigues.

Segundo o diretor da ZCT, a China já teria feito uma oferta para comprar 130 elefantes e 50 leões - cujo preço ronda os US$ 40 mil por cabeça, o que não foi confirmado oficialmente. Em 2015 o Zimbábue vendeu 24 elefantes a um zoológico chinês apesar da oposição dos grupos conservacionistas.

Por enquanto, o único requisito imposto pelo governo zimbabuano aos possíveis compradores é que devem demonstrar que possuem terrenos e infraestrutura adequada para cuidar dos animais.

Imagem de um leão durante uma tarde de outono quente em orfanato de animais selvagens no centro do Zimbábue.
Imagem de um leão durante uma tarde de outono quente em orfanato de animais selvagens no centro do Zimbábue.
Foto: John Moore / Getty Images

Isto significa, segundo Rodrigues, que a maioria dos animais será vendida a investidores internacionais, já que a maioria das 640 reservas privadas que existem no Zimbábue são pequenas demais devido à lei de redistribuição de terras.

O ministro do Meio Ambiente do Zimbábue, Oppah Muchinguri, declarou durante uma viagem oficial à China no começo do ano que seu governo continuaria vendendo animais selvagens sempre que considerasse necessário.

A seca no país, que afeta milhões de pessoas e agravou a já frágil situação econômica do Zimbábue, também provocou uma escassez de água e grama em todos os parques nacionais, o que faz o governo e ONGs temerem reviver a situação de 1992, quando milhares de animais morreram por causa das questões climáticas.

 

EFE   
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