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11 de julho de 2012 • 15h56 • atualizado em 16 de Julho de 2012 às 09h46

Vênus, Júpiter e estrela gigante podem ser vistos a olho nu até dia 20

Imagem acima é uma simulação feita pelo programa Stellarium com o que poderá ser visto às 5h45 do dia 15: Lua, Vênus, Júpiter e a estrela gigante Aldebaran formarão um quadrilátero no céu. Ocorrência será apenas nesta data e horário
Foto: Programa Stellarium / Reprodução
 

Pessoas que gostam de acordar cedo terão uma bela surpresa até o dia 20 de julho. Nesse período, haverá uma conjunção planetária entre Vênus, Júpiter e a estrela Aldebaran (a supergigante vermelha e a mais brilhante da constelação de Touro). O fenômeno poderá ser visto a olho nu entre 4h30 e 6h, dependendo da região onde a pessoa estiver.

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"Dizemos de modo geral que uma conjunção ocorre quando os astros estão angularmente próximos no céu, ou seja, na mesma direção. Eles poderão ser vistos no horizonte nascente, isto é, no lado leste, onde 'nasce' o Sol, No entanto, eles estarão com pouca elevação", explica o professor Jair Barroso, do Observatório Nacional.

Segundo Barroso, as regiões mais próximas do equador, como o Norte do país, por exemplo, poderão ver o fenômeno com mais facilidade. Ele explica que o fator longitude afeta o melhor horário para se observar a conjunção. "Tomando como referência a hora de Brasília (fuso de 3h), cidades da costa nordeste assistirão bem aos astros entre 4h30 e 5h. Já as cidades a oeste do meridiano de Brasília, e dentro do mesmo fuso horário, verão melhor um pouco mais tarde, entre 5h30 e 6h", esclarece. O professor ressalta ainda que o horizonte nascente precisar estar livre de obstáculos, como, por exemplo, edifícios e morros.

"Sugiro que todos os educadores e estudantes acompanhem o fenômeno até mesmo após o dia 15 de julho, pois o evento é extremamente didático. Além de despertar o interesse pela ciência, a observação desse acontecimento permite uma melhor compreensão em relação aos movimentos da Terra e dos astros no Universo. Além disso, todos assistirão a um verdadeiro espetáculo ao ver a 'dança' dos dois planetas com seus 'colegas' celestes", incentiva.

O astrônomo e coordenador da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), Dr. João Batista Garcia Canalle, explica que Vênus e Júpiter, durante alguns dias, vão formar uma linha reta com Aldebaran. Na mesma direção, mas do lado oposto à estrela e mais próximo de Júpiter, os mais atentos poderão se deslumbrar com a beleza das Plêiades, grupo de estrelas da constelação de Touro. E bem à direita da conjunção, poderão ver as famosas Três Marias da constelação de Órion. "Os mais felizardos serão os moradores de pequenas cidades ou zonas rurais, já que as luzes das cidades grandes ofuscam o brilho dos astros", lembra.

Canalle enfatiza ainda que esses dois planetas são os mais brilhantes do sistema solar. Vênus é o que mais se destacará no céu. Júpiter terá um tom ligeiramente amarelado e estará num ponto mais alto em relação aos outros astros da conjunção. E no dia 15, em especial, terão a ilustre companhia da Lua em fase minguante.

"Ela terá uma luz bem cinzenta. Isso é causado pelo reflexo da luz do Sol na Terra. E com a presença dos planetas e da brilhante Aldebaran, o céu terá uma beleza única", reforça o astrônomo, que já alertou a todos os professores e escolas participantes da OBA sobre o fenômeno.

Ainda segundo Barroso, no dia 21 de agosto, poderemos ver a conjunção entre Marte, a estrela Espiga (15ª estrela mais brilhante) e Saturno. "Eles estarão próximos no céu, porém no lado do poente, ao anoitecer, e também poderão ser vistos a olho nu perto da Lua crescente, formando, assim, um quadrilátero", explica.

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