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Secretário-geral da ONU luta para evitar fracasso da Rio+20

6 jun 2012 - 11h15
(atualizado às 12h45)
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O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, luta para tentar evitar o fracasso da cúpula Rio+20 - que em duas semanas reunirá líderes de mais de 100 países - o que seria, segundo ele, "trágico" para o planeta. A Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável será realizada entre os dias 20 e 22 de junho, 20 anos depois da Cúpula da Terra que mudou o rumo das discussões sobre o clima e a biodiversidade.

Ativistas do Greenpeace fazem protesto para que as promessas da Rio+20 saiam do papel
Ativistas do Greenpeace fazem protesto para que as promessas da Rio+20 saiam do papel
Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace / Divulgação

A cúpula deve promover a emergência de uma "economia verde" combinada ao desenvolvimento, à luta contra a pobreza e à proteção ambiental, e estabelecer uma nova governança internacional para o meio ambiente em um mundo de sete bilhões de habitantes, cujos recursos naturais se esgotam.

Apesar dos esforços de Ban Ki-moon, vários líderes mundiais estarão ausentes na Rio+20, incluindo o presidente americano, Barack Obama. Do lado europeu, o francês François Hollande e o presidente russo, Vladimir Putin, confirmaram presença, bem como o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, e o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy. No entanto, nem a chanceler alemã, Angela Merkel, nem o premier britânico, David Cameron, vão participar.

"Temos que decidir se queremos a prosperidade comum ou caminhos de consequências muito negativas, trágicas, para a humanidade", advertiu Ban na segunda-feira durante uma visita à Arábia Saudita.

"As negociações foram lentas e difíceis", lamentou em uma recente coletiva de imprensa. "O planeta tem limites e nós devemos fazer algo para as gerações futuras", acrescentou, referindo-se às catástrofes naturais, à escassez de alimentos e à exploração descontrolada de recursos geológicos que existem em algumas partes do globo.

Ban Ki-moon pediu em diversas ocasiões flexibilidade aos participantes nas negociações e que as coloquem "acima dos interesses nacionais ou regionais". Mas as discordâncias entre países desenvolvidos e pobres continuam, principalmente sobre a "economia verde" e o plano de desenvolvimento.

De acordo com o embaixador sul-coreano Kim Sook, co-presidente da Comissão Preparatória, a sessão de negociação de Nova York fez progressos, mas resultou em apenas 20% do documento final.

A última reunião preparatória será realizada no Rio nos dias 13, 14 e 15 de junho, pouco antes da cúpula. Milhares de páginas com propostas para este documento final foram reduzidas a 20 páginas após as discussões iniciais do ano passado. Mas, ao longo das revisões, o texto inchou para 275 páginas e ainda tem 80.

A cúpula também deve esclarecer "objetivos de desenvolvimento sustentável", que pretendem conciliar o crescimento econômico e a preservação dos recursos do planeta. Eles respondem aos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio de 2000 (incluindo a eliminação da pobreza extrema e a melhoria dos sistemas de saúde até 2015), que não serão cumpridos na data de vencimento.

Por enquanto, ainda não há acordo sobre estas novas metas ou até mesmo sobre seu número. Segundo Ban, os 193 países membros das Nações Unidas propuseram 26 áreas em que os objetivos serão enquadrados, da saúde ao planejamento urbano, passando pela proteção dos oceanos.

A ideia, defendida pela Europa, de substituir o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), com base em Nairóbi, por uma grande Organização Mundial do Meio Ambiente, ainda enfrenta a oposição de vários países, incluindo os Estados Unidos e o Brasil.

"Se acreditarmos no que dizem os cientistas e a sociedade civil, precisaremos arrumar a casa significativamente", explica Antonio Hill, representante da organização Oxfam na cúpula.

"Grandes diferenças" persistem, reconhece Jeffrey Huffines, representante da Aliança Global das Nações Unidas para a Participação do Cidadão (CIVICUS), um movimento baseado na África do Sul e que reivindica membros e parceiros em mais de 100 países . Ele ressalta "a falta de confiança" entre países ricos e pobres e lamenta a falta de grandes líderes como Barack Obama.

Mas advertiu "que, mesmo com chefes de Estado de alguns dos países mais poderosos presentes ou não (no Rio), voltaremos para nossos respectivos países para cobrar de nossos governos o que foi concluído no Rio".

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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