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RJ: protesto contra Ahmadinejad reúne 700 pessoas em Ipanema

17 jun 2012
13h42
atualizado às 15h19
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Marcus Vinícius Pinto
Direto do Rio de Janeiro

Cerca de 700 pessoas, de acordo com a PM, participaram na manhã deste domingo, na orla da Praia de Ipanema, na zona Sul do Rio, de um protesto contra a vinda do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad à cidade para participar da Rio+20. Com o lema "O mundo sem direitos humanos é insustentável", a manifestação contou com a presença de membros de diversas comunidades judaicas do Rio, membros comunidades religiosas e da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, afrodescendentes e de movimentos gays. Em São Paulo, um protesto semelhante aconteceu no bairro da Consolação

"Não é um protesto contra a pessoa do presidente do Irã, mas contra o discurso de ódio e toda a discriminação que ele prega, negando o holocausto e a liberdade religiosa", disse um dos organizadores
"Não é um protesto contra a pessoa do presidente do Irã, mas contra o discurso de ódio e toda a discriminação que ele prega, negando o holocausto e a liberdade religiosa", disse um dos organizadores
Foto: Daniel Tamalho / Terra

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"Não é um protesto contra a pessoa do presidente do Irã, mas contra o discurso de ódio dele, contra toda a discriminação que ele prega, negando o holocausto e negar a liberdade religiosa", disse Michel Gherman, um dos organizadores do evento.

Usando com símbolo quatro árvores secas, feitas de material reciclado, os organizadores pretendem alertar para o fato de que o discurso de sustentabilidade da Rio+20 não pode se separar das ações políticas. "As árvores secas simbolizam a falta de respeito por parte do Ahmadinejad com os direitos humanos", explica Leonardo Zonenschein, idealizador da alegoria junto com o cenógrafo José Dias. "Não podemos deixar que ele faça na Rio+20 seu discurso habitual de ódio. As relações humanas são a base da sustentabilidade", diz Leonardo, que promete estender o protesto para quinta-feira na frente do hotel do presidente iraniano em Copacabana.

Alem das árvores secas, os participantes usavam camisetas contra a visita de Ahmadinejad e cartazes dizendo que ele não é bem-vindo ao Rio e que o povo carioca ama o povo iraniano. "Não Ahmadinejad no Rio" estampava uma camiseta preta. "Negar o holocausto é o mesmo que negar a escravidão no Brasil" dizia outra.

A presidente da comissão de direitos humanos da Câmara Municipal do Rio, Teresa Bergher, disse que vai entrar na terça-feira com um projeto de lei que considera Ahmadinejad uma pessoa que não é bem-vinda (persona non grata) na cidade do Rio de Janeiro. Ela sabe que a lei, se aprovada, não vai impedir a vinda do presidente do Irã ao Rio por se tratar de um convite da Organização das Nações Unidas (ONU), mas acha que é uma forma de protestar. "Não sei como a ONU ainda convida para o evento um presidente que não concorda com a Declaração Universal dos Direitos do Homem", questionou.

Cláudio Nascimento é ativista do momento GLS há 25 anos e considera importante estar presente na manifestação e reclamou que a agenda da Rio+20 não inclua o assunto direitos humanos na pauta de negociação. "A presença do Ahmadinejad vai contra a liberdade e contra um mundo sustentável", afirmou.

O musico George Israel, do Kid Abelha, também participou da passeata, que terminou no Posto 9, em Ipanema, tradicional reduto gay do Rio, e foi animada pelos músicos do Afroreggae, Organização Não Governamental (ONG) que recupera pessoas que decidem abandonar o tráfico de drogas. Um dos membros mais ativos da comunidade judaica no Rio, Israel disse que a manifestação é importante para o Brasil marcar sua opinião. "A gente fica só no papo de botequim e precisamos vir para rua e protestar também contra a corrupção e as coisas ruins que acontecem no País", disse.

O protesto surtiu efeito antes mesmo de começar. O prefeito Eduardo Paes tinha previsto inaugurar na sexta-feira uma réplica das colunas de Persépolis, doada pelo Irã ao Rio de Janeiro, mas preferiu cancelar. "Já conseguimos pressionar para que a agenda dele seja a mais reduzida possível", disse Leonardo Zonenschein. Para Michel Gherman, a vinda de Mahmoud Ahmadinejad ao Rio é uma ótima oportunidade para discutir o ódio que o presidente iraniano emprega em seus discursos contra Israel e outras minorias.

Sobre a Rio+20
Vinte anos após a Eco92, o Rio de Janeiro volta a receber governantes e sociedade civil de diversos países para discutir planos e ações para o futuro do planeta. A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que ocorre até o dia 22 de junho na cidade, deverá contribuir para a definição de uma agenda comum sobre o meio ambiente nas próximas décadas, com foco principal na economia verde e na erradicação da pobreza.

Composta por três momentos, a Rio+20 vai até o dia 15 com foco principal na discussão entre representantes governamentais sobre os documentos que posteriormente serão convencionados na Conferência. A partir do dia 16 e até 19 de junho, serão programados eventos com a sociedade civil. Já de 20 a 22 ocorrerá o Segmento de Alto Nível, para o qual é esperada a presença de diversos chefes de Estado e de governo dos países-membros das Nações Unidas.

Apesar dos esforços do secretário-geral da ONU Ban Ki-moon, vários líderes mundiais não estarão presentes, como o presidente americano Barack Obama, a chanceler alemã Angela Merkel e o primeiro ministro britânico David Cameron. Ainda assim, o governo brasileiro aposta em uma agenda fortalecida após o encontro.

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Terra

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