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Rio+20 tem grandes necessidades, mas poucas perspectivas

20 abr 2012
14h32
atualizado às 16h29

Apenas dois meses antes da cúpula da ONU Rio+20, as perspectivas de uma mudança radical para combater a pobreza e os males ambientais do planeta parecem remotas. Cerca de 100 chefes de Estado e de governo são esperados no Rio de Janeiro para esta cúpula sobre o desenvolvimento sustentável, que ocorrerá de 20 a 22 de junho.

O evento acontecerá 40 anos depois do primeiro grande encontro sobre o ambiente e 20 anos depois da quase lendária Cúpula da Terra celebrada no Rio, onde as Nações Unidas criaram dois fóruns para enfrentar a mudança climática e a perda de biodiversidade.

Essa iniciativa colocou firmemente o meio ambiente no topo da agenda política mundial. Mas duas décadas depois, os problemas pioraram mais do que nunca. Muitos especialistas anunciam com pessimismo que a humanidade está destruindo seu futuro ao avançar de forma irresponsável para a prosperidade.

Cientistas que participaram de uma conferência prévia à Rio+20, realizada em Londres no mês passado, disseram que a meta da ONU de limitar o aquecimento global em 2°C - adotada há menos de 18 meses - já é inalcançável.

"Temos que nos dar conta de que estamos observando uma perda da biodiversidade sem precedentes nos últimos 65 milhões de anos. Claramente estamos entrando na sexta extinção em massa" do planeta, disse Bob Watson, ex-chefe do painel climático da ONU e principal assessor do ministério britânico de Meio Ambiente.

A cúpula tem o triplo objetivo de combater esta crise, erradicar a pobreza e colocar o crescimento em um caminho sustentável, com medidas para estimular a economia verde. Mas diferentemente do que ocorreu em 1992, ninguém espera um plano-mestre de amplo alcance.

As crises financeiras no Ocidente, o quase fiasco da cúpula do clima de Copenhague em 2009 e as mudanças geopolíticas, com a emergência de China, Índia e Brasil, antecipam um evento de baixo perfil. "Nos últimos 20 anos, a paisagem mudou completamente", disse Laurence Tubiana, chefe de um centro de análise francês, o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Relações Internacionais (IDDRI).

"Hoje existe uma crise de multilateralismo, conflitos e ausência de liderança", afirmou. Os organizadores da cúpula prevêem que o grande evento oferecerá uma dose de pragmatismo ou ao menos delineará um caminho útil - apesar de, talvez, pouco visionário - para as futuras gerações.

Mas antes, se vislumbra uma batalha pelo texto final da cúpula. A partir da próxima segunda-feira, em um encontro informal em Nova York, negociações começarão a definir o rascunho de declaração final, que em três meses saltou de 20 para 180 páginas.

"Estou preocupado com o risco de não haver um mínimo denominador comum, o que pode acontecer em qualquer grande conferência que exija consenso", disse à AFP Brice Lalonde, coordenador-executivo da cúpula Rio+20. "Mas, por enquanto, todo mundo fala sobre a necessidade de sermos ambiciosos", afirmou.

A França, apoiada segundo diz por cerca de 100 países em desenvolvimento, quer transformar o Programa da ONU para o Meio Ambiente (PNUMA) em uma super agência autônoma que possa atuar sobre o meio ambiente. O anfitrião da cúpula, o Brasil, se opõe, assim como os Estados Unidos.

Muitos ativistas prevêem um forte enfrentamento. Bazileu Alves Margarido, membro de uma ONG brasileira, o Instituto para a Democracia e o Desenvolvimento Sustentável, disse que a contra-cúpula, a Cúpula dos Povos, mostrará sua irritação.

"A atmosfera será de protesto", disse à AFP . "Estamos esperando muito pouco da conferência oficial. Vemos uma Rio+20 sem esperanças, sem vontade política dos países para mudar as coisas".

Espera-se que cerca de 30 mil pessoas participem da conferência alternativa que será realizada de 15 a 23 de junho, incluindo representantes de indígenas da Amazônia, dos jovens "indignados" espanhóis e de países da Primavera Árabe. A cúpula alternativa ocorrerá no parque do Aterro do Flamengo.

Ainda não se sabe quem participará da Rio+20, mas é improvável que o presidente americano, Barack Obama, participe, segundo fontes. O Brasil mobilizará cerca de 20 mil pessoas, incluindo 10 mil policiais, para garantir a segurança da cúpula.

Imagem mostra um dos rios descobertos pelos pesquisadores
Imagem mostra um dos rios descobertos pelos pesquisadores
Foto: EFE
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