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País abriga 330 espécies invasoras que causam doenças, diz IBGE

18 jun 2012
09h57
atualizado às 10h12
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Cirilo Junior
Direto do Rio de Janeiro

Um grupo de jovens ambientalistas de vários países aproveitou um intervalo nas discussões da Rio+20, na quinta-feira, para protestar contra a "despreocupação" dos Estados Unidos com a pauta ambiental
Um grupo de jovens ambientalistas de vários países aproveitou um intervalo nas discussões da Rio+20, na quinta-feira, para protestar contra a "despreocupação" dos Estados Unidos com a pauta ambiental
Foto: Angela Chagas / Terra

A ação do homem sobre o meio ambiente altera habitats de muitos animais. O resultado é que esses bichos têm que se deslocar em busca de sobrevivência, ou mesmo são levado à força para outras regiões, desencadeando uma rede de desequilíbrio ecológico. Ao entrar em um ambiente diferente, esses animais são classificados como espécies invasoras. O país tem catalogadas 330 delas, segundo o documento Indicadores de Desenvolvimento Sustentável 2012 (IDS), divulgado nesta segunda-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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É o caso do sagui-estrela, originário da região Nordeste, que foi levado como animal de estimação para matas do centro-sul do país, competindo com outras espécies de micos locais. Em caso semelhante se encaixa o tucunaré, peixe da Amazônia que foi levado para outros rios do país, onde se tornou invasor e predador de espécies aquáticas locais.

"Em um país de dimensões continentais, com grande diversidade de biomas, esse resultado alerta para a necessidade de barreiras de controle internas, e não apenas externas, à movimentação de espécies que possam invadir e ocupar novas áreas¿, aponta a pesquisa do IBGE.

Mas boa parte também é composta de animais ou plantas que foram trazidas de outros locais do mundo. Um caso clássico é o mosquito Aedes Aegypt, o transmissor do vírus da dengue, que veio da África.

"Eles chegam, competem e podem contribuir para a extinção de espécies locais", afirma José Guilherme Cardoso Mendes, da coordenação de Recursos Naturais e Estudos Ambientais do IBGE.

Muitas delas vêm em cascos de navios, como os caramujos africanos, causadores de doenças que se proliferam em muitas regiões do país, como na Baixada Fluminense. Existe também a mão invertida, quando espécies nativas do Brasil criam desequilíbrios no exterior. Um caso clássico é o aguapé, planta aquática que transformou-se em praga ao ser introduzida na África e na América do Norte.

Segundo o IBGE, 25 das espécies invasoras identificadas são causadoras de doenças ou alergias; 36 ocasionaram perda de produtividade econômica em determinado ambiente; mudanças de fisionomia de um ambiente decorreram da presença e ação de 26 espécies; e 45 se tornaram predadores de espécies nativas. O instituto lembra que uma espécie pode ser causadora de mais de mais de um dano. Entre as espécies invasoras identificadas, há 180 animais e 146 vegetais.

Rio+20
Vinte anos após a Eco92, o Rio de Janeiro volta a receber governantes e sociedade civil de diversos países para discutir planos e ações para o futuro do planeta. A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que ocorre até o dia 22 de junho na cidade, deverá contribuir para a definição de uma agenda comum sobre o meio ambiente nas próximas décadas, com foco principal na economia verde e na erradicação da pobreza.

Composta por três momentos, a Rio+20 vai até o dia 15 com foco principal na discussão entre representantes governamentais sobre os documentos que posteriormente serão convencionados na Conferência. A partir do dia 16 e até 19 de junho, serão programados eventos com a sociedade civil. Já de 20 a 22 ocorrerá o Segmento de Alto Nível, para o qual é esperada a presença de diversos chefes de Estado e de governo dos países-membros das Nações Unidas.

Apesar dos esforços do secretário-geral da ONU Ban Ki-moon, vários líderes mundiais não estarão presentes, como o presidente americano Barack Obama, a chanceler alemã Angela Merkel e o primeiro ministro britânico David Cameron. Ainda assim, o governo brasileiro aposta em uma agenda fortalecida após o encontro.

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Fonte: Terra
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