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Governo trata licença ambiental como maldição, diz ONG

Diretor da SOS Mata Atlântica critica o sucateamento dos órgãos ambientais e diz que o Brasil perdeu a oportunidade de ser líder mundial na área de sustentabilidade

22 jun 2013
16h09
atualizado em 24/6/2013 às 14h38
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Diretor da ONG SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani luta há mais de 30 anos pela conservação das florestas e é um dos maiores críticos da política ambiental do governo de Dilma Rousseff. Em entrevista ao Terra nesta tarde, durante o Fórum Mundial de Meio Ambiente,  o ativista criticou a "facilitação" na concessão de licenças ambientais para grandes empreendimentos no Brasil. "O governo trata as licenças como uma maldição que emperra o desenvolvimento, mas maldição mesmo é um governo que não dá valor para a questão ambiental", disse.

Mario Mantovani participou dos debates no Fórum Mundial de Meio Ambiente, em Foz do Iguaçu
Mario Mantovani participou dos debates no Fórum Mundial de Meio Ambiente, em Foz do Iguaçu
Foto: Juan Guerra / Divulgação

Mantovani citou fraudes descobertas pela Polícia Federal (PF), como no Rio Grande do Sul onde políticos e técnicos de secretarias de meio ambiente foram presos por suspeita de agilizar a liberação de obras, como um exemplo do que ocorre em todo o País. "A licença é o único instrumento de controle social das obras, mas hoje está fragilizado". Ele diz que o atraso na liberação, apontado por empresários como um fator que emperra o desenvolvimento do País, se deve muito mais ao sucateamento dos órgãos ambientais, do que ao processo burocrático. "Não é a licença o problema, mas o governo que não coloca pessoas para fazer", critica.

ONG: Brasil perdeu chance de ser líder ambiental

Segundo o ambientalista, que acompanhou ativamente as discussões da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) há um ano, o Brasil está perdendo a oportunidade de se tornar um líder na discussão sobre a sustentabilidade. "Claro que não temos problemas sérios como nos Estados Unidos, onde as grandes petrolíferas mandam em tudo. Mas temos um governo covarde e omisso, que teve a oportunidade (na Rio+20) de mostrar para o mundo um novo rumo, mas resolveu se tornar igual aos países desenvolvidos, que só pensam no desenvolvimento a qualquer custo".

Para Mantovani, o Brasil está regredindo aos padrões da década de 1970, quando não havia nenhuma preocupação ambiental. Ele ainda afirma que o que "salva" o País é que as pessoas e as empresas estão mais engajadas. "Vimos aqui que muitos empresários estão conscientes de que não existe desenvolvimento sem sustentabilidade", disse durante o fórum, que acontece em Foz do Iguaçu (PR) e reúne pelo menos 400 líderes empresarias e ambientais.

Fórum de Meio Ambiente
Ocorre nesta sexta-feira e no sábado, em Foz do Iguaçu (PR), o Fórum Mundial de Meio Ambiente, que reúne empresários, políticos e ambientalistas para debater ações relacionadas à preservação da água. Entre os palestrantes estão o ativista e advogado americano especializado em direito ambiental, Robert Kennedy Jr., o presidente da Ocean Futures Society (OSF), Jean-Michel Cousteau, e a ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.

Promovido pelo Lide - Grupo de Líderes Empresariais, a iniciativa faz parte das discussões do Ano Internacional de Cooperação pela Água, definido pela ONU para 2013, com o objetivo de estimular a consciência sobre a escassez do recurso natural.

A repórter viajou a convite da organização do evento.

<a data-cke-saved-href="http://www.terra.com.br/noticias/ciencia/infograficos/clima/iframe.htm" data-cke-525-href="http://www.terra.com.br/noticias/ciencia/infograficos/clima/iframe.htm">veja o infográfico</a>

Fonte: Terra
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