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Jean-Michel Cousteau: não nos damos conta de quanto poluímos

12 jun 2012
15h31
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André Naddeo
Direto do Rio de Janeiro

Desde garoto, Jean-Michel Cousteau se acostumou com a seguinte rotina: "eu fazia minha mala, colocava algumas coisas para lanchar ali no intervalo, mas eu nunca sabia se iria mesmo para a escola. Muitas vezes minha sala de aula era o mar". Filho do lendário explorador francês Jacques Costeau, Jean-Michel se acostumou com os barcos e com a vida à família Schürmann. Sua principal lição foi aprender, com o pai, que "quem protege os oceanos, protege a si mesmo".

Ativistas do Greenpeace fazem protesto para que as promessas da Rio+20 saiam do papel
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Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace / Divulgação

Foi este o tom de sua palestra nesta terça-feira, no segundo e último dia da TEDxRio+20, uma prévia da Conferência das Nações Unidas para Desenvolvimento Sustentável. "Os polvos que eu costumava pegar na minha cidade natal e mostrar para os meus professores não existem mais. Nós não estamos nos dando conta da quantidade de produtos químicos que jogamos nos oceanos. Uma gota que você joga no rio Amazonas, por exemplo chega ao oceano, tudo está conectado", alertou.

Considerado um dos principais defensores da preservação mundial, a ponto de receber o prêmio Herói Ambiental, em 1998, das mãos do ex-vice-presidente americano Al Gore, o educador, ambientalista e diretor de TV chamou a atenção também, ao longo dos seus 20 minutos de discurso, para o que chamou de "conectividade essencial para a vida".

"Não existe Brasil, Argentina, Colômbia ou Peru, somos todos parte de uma mesmo sistema. podemos pegar uma criança indiana e nos conectar com ela. Assim podemos cuidar um dos outros. É totalmente inaceitável que todos os dias crianças morram por não ter água, ou por não tomar uma água adequada. Estamos cientes hoje de tudo o que acontece, mas não tomamos as medidas efetivas", alertou o francês.

Na opinião de Cousteau, para estabelecer uma relação de confiança com quem tem o poder nas mãos para a mudança, é preciso que as crianças dos dias atuais "sejam como esponjas, absorvendo tudo até chegar ao coração dos tomadores de decisão. É assim que as coisas podem acontecer. Precisamos estabelecer um diálogo com os governantes".

Em sua apresentação, o educador mostrou ainda para a plateia de cerca de 800 pessoas da TEDxRio+20, um vídeo-documentário feito por ele e sua equipe, no qual mães se assustam ao saber que seus filhos, voluntários da pesquisa, ingeriram metais pesados ao longo da vida sem nenhuma noção disso.

"Nossa presença aqui é para pedir aos tomadores de decisão que protejam os 65% de mar aberto. Esperamos que a Rio+20 seja essa oportunidade. Quem protege os oceanos, protege a si mesmo", repetiu Cousteau.

Rio+20
A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável ocorre na cidade do Rio de Janeiro entre os dias 13 a 22 de junho e deverá contribuir para a definição da agenda de discussões e ações sobre o meio ambiente nas próximas décadas, com foco principal na economia verde e na erradicação da pobreza.

Assim chamada por marcar os 20 anos da realização da Eco92, a Rio+20 é composta por três momentos. De 13 a 15 de junho, representantes governamentais discutirão os documentos que posteriormente serão convencionados na Conferência. Entre 16 e 19, serão programados eventos com a sociedade civil. Já de 20 a 22 ocorrerá o Segmento de Alto Nível da Conferência, para o qual é esperada a presença de diversos chefes de Estado e de governo dos países-membros das Nações Unidas.

Apesar dos esforços do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, vários líderes mundiais estarão ausentes, incluindo o presidente americano Barack Obama. Do lado europeu, ficam de fora a chanceler alemã Angela Merkel e o primeiro ministro britânico David Cameron. Para garantir a presença de países africanos e caribenhos, o Itamaraty, o Ministério da Defesa e a Embraer trarão as delegações de 10 deles.

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Fonte: Terra
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