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24 de novembro de 2011 • 10h05 • atualizado às 10h11

Desafios da sustentabilidade empresarial

Newton Figueiredo: é preciso ter muita cautela com atalhos
Foto: Divulgação
 
Newton Figueiredo

Pesquisa realizada pelo Sebrae, concluída em junho de 2011, aponta que 58% das pequenas e microempresas ainda desconhecem o tema sustentabilidade e, das práticas sustentáveis listadas, estão preocupadas com redução de consumo de energia (80%), água (79%), papel (68%), coleta seletiva de lixo (67%), uso adequado de resíduos tóxicos (61%), uso de matéria-prima ou material reciclado (45%), reciclagem de pilhas, baterias e pneus usados (42%) e captação de água de chuva ou reúso de água (15%). Além disso, 40% dos empresários não veem a sustentabilidade como oportunidade de ganho para a empresa e 13% acreditam que representa custos.


Analisando este cenário, percebemos que as práticas ambientais se confundem com a sustentabilidade empresarial. As empresas ainda não estão envolvidas em sua totalidade porque associam sustentabilidade a apenas questões ambientais e perdem oportunidades de geração de novos negócios e produtos.


Por outro lado, percebemos que as grandes corporações já compreenderam que a sustentabilidade empresarial traz rentabilidade, desde que incorporada a seu negócio e produtos.


Como exemplos, a empresa que, ao desenvolver produtos mais eficientes, aumentou suas vendas ou outra que antes jogava seus resíduos em aterros e agora os comercializa, além de outras que estão revendo seus processos, desenvolvendo produtos e serviços sustentáveis. São casos que mostram que sustentabilidade empresarial está além de ações pontuais, mas que deve ser desenvolvida com o intuito de melhorar a rentabilidade e competitividade.


Assim, as pequenas e microempresas têm potencial para inovação e possibilidades de diferenciação competitiva ao compreender a sustentabilidade empresarial.


Aqui, reunimos algumas dicas para que as empresas possam começar a desenvolver a sustentabilidade empresarial:


O primeiro passo é o empresário estar convencido de que esse é o caminho e se cercar de pessoas que serão capazes de transformar a cultura empresarial na direção de rentabilidade e perenidade sustentáveis no curto, médio e longo prazos.


Realizar diagnóstico da situação, abrangendo os públicos de interesse, a própria empresa e o mercado de atuação.


Desenvolver um plano (Plano Estratégico de Sustentabilidade - PES) que seja capaz de entregar, de forma permanente, "valor líquido" para cada um dos seus públicos de interesse estratégicos. Esse conceito de valor líquido, desenvolvido pelo Grupo SustentaX, significa a percepção de valor pelo público específico menos o risco que ele avalia ter em uma determinada ação. Estabelecido o PES é pensada a organização que irá implementá-lo. Não existe fórmula padrão. Cada empresa tem sua cultura e necessidades diferentes.


Atenção! É preciso fazer primeiro para depois comunicar. Muitas empresas estão fazendo o contrário e geram a percepção de falsidade ideológica ou propaganda enganosa.

Monitorar constantemente para saber se os públicos estão recebendo corretamente a mensagem e para ajustes.


E, por último, cuidado com os atalhos! Ações ditas sustentáveis, sem uma coordenação que gere uma resultante em benefício da empresa, são esforços desperdiçados, que fazem a direção enxergar a sustentabilidade empresarial como custo e não como investimento em seu benefício.

Newton Figueiredo é fundador e presidente do Grupo SustentaX que desenvolve, de forma integrada, o conceito de sustentabilidade ajudando as corporações a terem seus negócios mais competitivos e sustentáveis, identificando para os consumidores produtos e serviços sustentáveis e desenvolvendo projetos de sustentabilidade para empreendimentos imobiliários.

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