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Colômbia vai propor sistema para desenvolvimento sustentável

27 mai 2012
00h38
atualizado às 02h07

A Colômbia proporá na Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) - a ser realizada no Brasil em junho - um sistema de objetivos que buscam articular o social, o econômico e o ambiental e já conta com o apoio do Governo do Brasil e das Nações Unidas.

A diretora de Assuntos Econômicos, Sociais e Ambientais do Ministério das Relações Exteriores colombiano, Paula Caballero, explicou em entrevista à Agência Efe que a presidente Dilma Rousseff pediu para que esta iniciativa seja um dos resultados do encontro do próximo mês no Rio de Janeiro.

A proposta recebe o nome de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e tenta ampliar o "modelo bem-sucedido" dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) fixados pela ONU em 2000 para reduzir pela metade em 2015 os níveis de pobreza de 1990, mas com um enfoque universal. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também manifestou seu respaldo aos ODS e segundo a Chancelaria colombiana, quer que seja "um dos cinco legados mais importantes de sua administração".

Segundo Paula explicou, ainda não há um número de metas estabelecidas porque se trata de uma "decisão política" que os participantes da Rio+20 abordarão entre os próximos dias 15 e 23 de junho, mas opinou que o ideal é que "sejam poucas e concretas".

"Já está claro que vai ser lançado um processo dos ODS", comentou a mãe do projeto que a Chancelaria da Colômbia impulsionou, ao explicar que também a Comunidade de Estados Latino-Americanos e do Caribe (Celac) e outros países o apoiam "porque todo mundo se vê refletido nele".

Do seu ponto de vista, cinco possíveis eixos satisfariam o ponto comum das necessidades do mundo em torno "da água, da segurança alimentar, das cidades sustentáveis, dos oceanos e dos padrões de consumo e de produção sustentáveis".

Comprometer-se a cumprir essas metas em determinados prazos e alguns indicadores que devem ser definidos na cúpula não colide com nenhuma agenda interna e, segundo Paula, sua execução "sensata" permitiria atingir "o metaobjetivo: a redução da pobreza".

"Os objetivos não são ambientais, são a articulação do social e do econômico com o cenário do ambiental", comentou Paula, pedindo para deixar de conceber "o verde" como algo afastado de outras dimensões da vida.

Paula também pediu para se pensar além da proteção do recurso da água e a perceber que ela depois será empregada em "saneamento, para que as crianças não morram de diarreia, para processos industriais".

Por sua vez, o Governo da Colômbia decidiu seguir o exemplo, por isso que o presidente Juan Manuel Santos ordenou ao ministro de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Frank Pearl, coordenar a aplicação de cinco ODS entre as diferentes instituições colombianas, o que está já em andamento.

"A Colômbia terminou liderando isto porque nós o inventamos, mas sempre disse que este é um processo de construção coletiva", observou Paula ao defender o interesse em debater propostas claras "e não esotéricas", ao mesmo tempo em que se deixa de lado "a insustentável divisão entre norte e sul".

EFE   

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