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Tumba confirma que mulheres governaram no Peru há 1,2 mil anos

22 ago 2013
16h55
atualizado às 18h32
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A descoberta de uma nova tumba de uma sacerdotisa pré-hispânica no norte do Peru, a oitava encontrada em mais de duas décadas de pesquisas, confirma que mulheres poderosas governaram a região há 1,2 mil anos, segundo arqueólogos.

Segundo arqueólogos, imponente tumba de sacerdotisa mostra que mulheres governaram no Peru há 1,2 mil anos
Segundo arqueólogos, imponente tumba de sacerdotisa mostra que mulheres governaram no Peru há 1,2 mil anos
Foto: AFP

Os restos dessa mulher, pertencente à cultura Moche ou Mochica, entre 200 e 700 d.C., foram descobertos no final de julho por arqueólogos na província de Chepén, na região La Libertad (norte do Peru), somando-se a outras descobertas surpreendentes na região.

A evidência de mulheres governantes na região de La Libertad vem assombrando os cientistas. Em 2006, no distrito de Magdalena de Cao (La Libertad), foi descoberta a famosa "Senhora de Cao", considerada uma das primeiras mulheres governantes do Peru, que morreu há 1,7 mil anos.

"Esta descoberta deixa claro que nesta região as mulheres não apenas chefiavam rituais, mas eram as rainhas da sociedade Mochica", disse à AFP Luis Jaime Castillo, diretor do projeto arqueológico San José de Moro. "É a oitava sacerdotisa descoberta, só encontramos tumbas de mulheres nas escavações e nunca de homens", acrescentou.

A sacerdotisa estava "em uma imponente câmara funerária de 1,2 mil anos" de idade, explicou o arqueólogo, que destacou que os Mochica eram conhecidos como mestres artesãos e grandes construtores de cidades de barro.

"A câmara funerária da sacerdotisa é de barro em forma de 'L' e estava coberta com placas de cobre em forma de ondas e aves marinhas. Perto do seu pescoço estavam uma máscara e uma faca (Tumi)", explicou Castillo.

A tumba, pintada com desenhos nas cores amarela e vermelha, também tinha nos lados cerca de dez nichos repletos de oferendas de cerâmica de tamanhos variados, a maioria vasilhas.

"Acompanhavam a sacerdotisa os corpos de cinco crianças, dois deles bebês, e dois adultos, todos sacrificados", afirmou o cientista, após indicar que na parte superior do féretro estavam dois penachos que representam uma ave pescadora descendo em picada.

A câmera funerária foi desenhada com uma entrada e nela foi montada uma exposição de peças colocadas ordenadamente, possivelmente cumprindo uma função, acrescentou.

Julio Saldaña, arqueólogo responsável pelos trabalhos na câmara funerária, disse que a descoberta da tumba confirma que a localidade de San José de Moro, província de Chepén, é um cemitério da elite Mochica e que as tumbas mais ricas pertencem às mulheres.

"Estamos diante de um lugar dedicado ao culto aos ancestrais, em cuja periferia os súditos mochicas deixaram evidências múltiplas como cântaros de tamanhos diferentes e cozinhas para a elaboração de chicha (bebida originária do Peru à base de milho)", disse.

No enxoval funerário da sacerdotisa foi encontrada uma finíssima peça de cerâmica policromática, desenhada com iconografia moche, na qual foi colocada uma coroa de prata e cobre dourado, em forma de penacho, situada na altura da cabeça do personagem da elite.

Debaixo do corpo da mulher havia uma fina camada de areia e na altura da cintura foi encontrada uma taça cerimonial e peças de tamanho regular de Spondylus (conchas usadas pela nobreza na época pré-hispânica) em cada uma das mãos da mulher. Também foram encontradas oferendas na altura dos pés.

Castillo informou que assim que forem levantados os restos e objetos, estes serão levados a um laboratório para estudo. Depois, os pesquisadores tentarão obter apoio financeiro para a construção de um museu.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 

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