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Nasa descobre fitoplâncton em lugar 'impossível'

7 jun 2012
16h58
atualizado às 17h57

Uma missão da Nasa descobriu uma enorme quantidade de fitoplâncton, algas vitais para a cadeia alimentar dos oceanos, no lugar menos esperado: debaixo do gelo do Ártico, segundo um estudo publicado esta quinta-feira pela revista Science .

Uma equipe da Nasa foi enviada ao mar de Chukchi, litoral do Alasca, noroeste do continente americano, onde encontrou uma biomassa de fitoplâncton que se estende por 100 km na plataforma de gelo, informou o chefe da missão, Kevin Arrigo.

"Ficamos atônitos. Foi completamente inesperado. Foi, literalmente, o florescimento de fitoplâncton mais intenso que vi nos 25 anos que faço este tipo de pesquisa", afirmou o cientista da Universidade de Stanford, na Califórnia. Para o site da Nasa, Arrigo afirma que se antes da descoberta tivessem questionado se poderia ocorrer o florescimento debaixo do gelo do Ártico, ele diria que era "impossível".

"Como os tomates numa horta, todo fitoplâncton requer luz e nutrientes para crescer", explicou Arrigo. "Supunha-se que havia muito pouca luz debaixo do gelo e não esperávamos ver muitas destas algas". Para a missão, chamada "Impacto da Mudança Climática nos Ecossistemas e a Química do Meio Ambiente Ártico do Pacífico" (Icescape), os cientistas realizaram expedições entre junho e julho de 2010 e 2011.

Arrigo disse que a descoberta provocou uma mudança fundamental na compreensão do ecossistema do Ártico, que era considerado frio e desolado. Esta pode ser a maior concentração de fitoplâncton do mundo, afirmou Arrigo, que se surpreendeu que tenha crescido sob uma camada de gelo marinho tão grossa quanto a altura de uma criança de cinco anos.

Esta descoberta sugere que o Oceano Ártico é mais produtivo do que se acreditava, apesar de serem necessários mais estudos para determinar como este fitoplâncton sob o gelo influi nos ecossistemas locais.

Cientista Karen Frey, que participou da pesquisa, realiza medições em um ponto de degelo no ártico
Cientista Karen Frey, que participou da pesquisa, realiza medições em um ponto de degelo no ártico
Foto: NASA / Divulgação
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