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Monitor cerebral mede pressão intracraniana sem perfurar a cabeça

2 ago 2011
14h09
atualizado às 14h21
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O professor Sérgio Mascarenhas, coordenador do Instituto de Estudos Avançados de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP), costuma dizer que, de "maldita", a doença rara e de difícil diagnóstico que sofreu há cerca de seis anos - a hidrocefalia de pressão normal - se tornou "bendita". Inconformado na época em que recebeu o diagnóstico com o fato de que a medicina moderna ainda tivesse que perfurar o crânio das pessoas com a doença para medir a pressão intracraniana, Mascarenhas desenvolveu um método simples e minimamente invasivo para medir a pressão interna do cérebro de pacientes com hidrocefalia e traumatismo craniano. As informações são da Agência Fapesp.

O primeiro americano a receber um transplante total de rosto fez sua primeira aparição pública após a cirurgia no dia 9 de maio de 2011
O primeiro americano a receber um transplante total de rosto fez sua primeira aparição pública após a cirurgia no dia 9 de maio de 2011
Foto: Reuters

Composto por um chip, que é colocado externamente à cabeça do paciente por meio de uma pequena incisão, e um monitor externo, que recebe e registra as informações sobre a deformação óssea do crânio - que é proporcional à pressão interna do cérebro -, o método recebeu apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para ser difundido no Brasil e em toda a América Latina.

A ideia do Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos, é que o método seja utilizado no Brasil nas ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), para que se possa avaliar o estado da pressão intracraniana de vítimas de acidentes de trânsito e obter um diagnóstico de urgência, disse Mascarenhas à Agência Fapesp.

Em 2009, por meio do projeto intitulado "Desenvolvimento de um equipamento para monitoramento minimamente invasivo da pressão intracraniana", o método, que foi tema do projeto de doutorado do pesquisador Gustavo Henrique Frigieri Vilela, começou a ser testado em pacientes com traumatismo cerebral internados no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto. Posteriormente, passou a ser testado para diversas outras aplicações, como no diagnóstico e acompanhamento de pacientes com acidente vascular cerebral (AVC).

"Com o método, é possível que os profissionais de saúde possam acompanhar os impactos neurológicos de um AVC e tomar providências no prazo de duas horas, que são cruciais para salvar ou diminuir as sequelas nos pacientes", explicou o professor.

O dispositivo também está sendo estudado no acompanhamento de pacientes com tumor cerebral - que aumenta o volume interno do cérebro e a pressão intracraniana -, além de no diagnóstico de morte encefálica, quando desaparece a pressão intracraniana. Outras possíveis aplicações do equipamento é em farmacologia, para medir os efeitos de drogas que atuam sobre desequilíbrios químicos do cérebro que alteram a pressão intracraniana - como a enxaqueca - e em veterinária, para medir a pressão intracraniana de animais de grande porte, como boi e porco, para avaliar a presença de encefalite - que aumenta o encéfalo e a pressão intracraniana.

Mas, de acordo com o pesquisador, os maiores avanços na aplicação do método foram obtidos no diagnóstico e acompanhamento de traumatismos cranianos e de epilepsia. "Pela primeira vez foi possível ver o que ocorre com a pressão intracraniana de um paciente epilético durante uma convulsão. Porque não se pode perfurar a cabeça do paciente para observar isso", afirmou Mascarenhas.

Patente internacional
O sistema foi patenteado no Brasil. Agora, o objetivo do pesquisador é registrá-lo na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) e depositar uma patente mundial, para evitar que seja copiado. Paralelamente a esse processo de registro nos órgãos brasileiros e internacionais, o pesquisador pretende montar uma empresa, que deverá se chamar Brain Care, para começar a fabricar o equipamento em escala industrial e atender às demandas que estão surgindo, como a implementação dele nas ambulâncias do Samu.

Com isso, o método brasileiro deverá competir com sensores importados encontrados no mercado que, além de muito mais caros, são implantados dentro do cérebro dos pacientes. "As vantagens do nosso método é que, além de o preço ser muito mais baixo, não é preciso ter todo o grau de proteção contra infecções que os métodos importados invasivos precisam. Dessa forma, será possível disponibilizá-lo para a população mais pobre, que não tem acesso a essa tecnologia", completa Mascarenhas.

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Fonte: Terra
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