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11 de outubro de 2012 • 15h40

Meteorito que caiu no Marrocos contém traços da atmosfera de Marte

Vidro negro em meteorito contém traços da atmosfera de Marte

Um meteorito que caiu no deserto do Marrocos há 14 meses está fornecendo mais informações sobre Marte, seu planeta de origem. O pesquisador Chris Herd, da Universidade de Alberta participa no estudo do meteorite Tissint, que possui traços da atmosfera única do planeta vermelho."Nossa equipe combinou traços de gases encontrados no interior do meteorito Tissint com amostras da atmosfera marciana coletadas em 1976 pela missão Viking, da Nasa", disse Herd. O artigo com as descobertas foi publicado nesta quinta-feira na Science.

O pesquisador explica que 600 milhões de anos atrás o meteorito começou como uma típica rocha vulcânica na superfície de Marte, quando foi lançado para fora do planeta devido ao impacto de um asteroide. "No momento do impacto com Marte, uma onda de choque atravessou a rocha. Rachaduras e fissuras dentro da rocha foram seladas instantaneamente pelo calor, prendendo os componentes no interior da rocha e formando manchas negras de vidro", complementa.

A equipe estima que por um período entre 700 mil e um milhão de anos a rocha voou pelo espaço, até julho de 2011, quando aterrissou no Marrocos. Foi apenas a quinta vez que a aterrissagem de um meteorito marciano foi testemunhada. Herd afirma que o fato de ele ter sido recolhido apenas alguns meses após pousar e não ter sido submetido a intempéries e contaminação na Terra é a principal razão deste meteorito ser tão importante.

O meteorito continha água, o que significa que o elemento estava presente na superfície marciana nos últimos cem milhões de anos. Mas Herd afirma que esta amostra de meteorito não tem nenhuma evidência de que a água tenha suportado quaisquer formas de vida. "Porque a rocha marciana foi submetida a um calor intenso, qualquer forma de vida microbiana que possa ter existido no fundo das fissuras da rocha teria sido destruída", diz Herd.

A sonda Curiosity, da Nasa, está se movendo pelo planeta vermelho em busca de mais informações sobre a história de Marte. "Rochas marcianas trazidas para a Terra por uma nave espacial vão fornecer a melhor oportunidade de saber se já existiu vida na superfície de Marte", apontam os pesquisadores.

Uma equipe com pesquisadores de diversas nacionalidades trabalhou no estudo do Tissint. Junto com Herd, trabalharam o técnico em geoquímica Guangcheng Chen e John Duke, ambos da Universidade de Alberta. Duke também é coautor do artigo publicado na Science.

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