Evolução biológica do ser humano permanece rápida, diz estudo

atualizado às 17h55
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Cientistas canadenses afirmam que a espécie humana permanece evoluindo biologicamente a um ritmo relativamente rápido, contradizendo a ideia de que as mudanças ficaram mais lentas com a modernidade, segundo um estudo da Universidade de Québec, em Montreal (UQAM), divulgado esta sexta-feira.

A descoberta desmente o senso comum, segundo o qual o ser humano moderno teria detido sua evolução biológica para dar lugar a um desenvolvimento cultural ou tecnológico, destacou a universidade. Os cientistas da UQAM, Emmanuel Milot e Denis Réale, da cátedra de pesquisa em ecologia comportamental, e Francine Mayer e Mireille Boisvert, do Departamento de Ciências Biológicas, analisaram os registros paroquiais durante 140 anos (entre 1799 e 1940) de L'isle-aux- Coudres, um município às margens do rio Saint-Laurent que hoje tem 1,3 mil habitantes.

Em pouco mais de um século, a idade média das mães ao darem à luz seu primeiro filho passou de 26 para 22 anos. Em consequência desta mudança, as mulheres tiveram mais filhos durante seu período reprodutivo, o que, segundo os cientistas, teria representado para elas uma adaptação ao meio, segundo artigo publicado na revista PNAS ( The Proceedings of the National Academy of Sciences ).

"É uma forma de seleção natural. Quando as mulheres passaram a ter filhos mais cedo, tiveram em número maior", explicou Emmanuel Milot. "Assim, sua representação genética foi aumentando com o tempo. (...) Mas isto demonstra que a mudança genética ainda é possível. Pode, inclusive, acontecer muito rapidamente, em algumas gerações", acrescentaram.

Os cientistas da UQAM colaboraram com Fanie Pelletier, da Universidade de Sherbrooke, e Dan Nussey, da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido. "Segundo os dados que temos, descobrimos que entre 30% e 55% da variação na idade da primeira reprodução se explica pela diferença genética e muito pouco pelo ambiente familiar", afirmou Pelletier.

De acordo com outro estudo, liderado pelo pesquisador canadense Philip Awadalla, da Universidade de Montreal, e publicado em junho na revista Nature Genetics , o ritmo da evolução humana é mais lento do que se pensava até o momento, com umas sessenta novas mutações genéticas transmitidas pelos pais aos seus filhos, ao invés de 100 a 200.

O genoma humano conta com 6 bilhões de moléculas portadoras de informação genética, os nucleotídeos. Pai e mãe transmitem, cada um, 3 bilhões ao filho. Um erro em um único nucleotídeo pode levar a uma mutação genética.

AFP    

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