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Cientistas usam luz para causar e parar Transtorno Obsessivo Compulsivo

6 jun 2013
15h54
atualizado às 15h54
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Dois estudos divulgados nesta quinta-feira em artigos na revista Science conseguiram, de maneira independente, provocar e bloquear comportamentos relacionados ao transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Para isso, os cientistas usaram um "remédio" incomum: a luz.

Optogenética: cientistas querem controlar os neurônios com a luz

Segundo os pesquisadores, somente nos Estados Unidos, cerca de 1% da população sofre de TOC. Para tratar o problema, os pacientes recebem drogas ansiolíticas ou antidepressivos, terapia comportamental ou uma combinação das duas. Uma alternativa para aqueles pacientes que não respondem a esses tratamentos são estímulos elétricos no cérebro via um dispositivo implantado no órgão.

Pesquisadores de instituições de pesquisa dos Estados Unidos e da França tentaram uma abordagem diferente: a optogenética. Essa área recente da ciência tenta controlar neurônios através de estímulos luminosos. 

Em um dos estudos, o que os cientistas fizeram foi monitorar o comportamento de um grupo de ratos modificados geneticamente para desenvolver TOC. Os pesquisadores derrubavam um pingo de água no nariz dos animais, que começavam a limpar a cabeça. Ao mesmo tempo, um som específico era disparado para tentar condicionar o comportamento. Outro grupo de ratos, sem modificações genéticas, passava pelo mesmo processo e também se limpava quando a água caía.

Após algum tempo, os ratos começaram a responder ao som antes da queda da gota. Contudo, os que não tiveram modificação genética começavam a se limpar apenas no último momento antes de a gota cair, enquanto os outros respondiam assim que ouviam o som.

Durante esse processo, os roedores tiveram os cérebros monitorados. Os cientistas descobriram que aparentemente tudo estava normal naqueles com modificação genética, menos uma estrutura chamada stratium, ligada aos hábitos. Os pesquisadores então começaram a estimular células sensíveis à luz nessa região. Quando os animais recebiam esse estímulo logo após ouvirem o som, eles paravam quase que imediatamente o comportamento repetitivo - mas voltavam a ele quando recebiam a gota de água.

O "tratamento" foi testado também em outro grupo de ratos, sem o condicionamento por som, mas com a mesma reação à gota de água. Eles por períodos de três minutos de estímulos luminosos, o que, segundo os especialistas, diminuiu significativamente o comportamento repetitivo dos animais.

Os pesquisadores acreditam que a melhora se deve a sinais enviados para um pequeno grupo de neurônios do striatum, os quais "silenciaram" a atividade de células próximas e pararam o comportamento compulsivo.

"Através da ativação desse caminho, nós podemos elucidar a inibição de comportamento, o que parece ser disfuncional em nossos animais", diz Eric Burguière, que conduziu o estudo durante pós-doutorado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês) e hoje está no Instituto de Cérebro e Medula de Paris.

No outro estudo, cientistas tentavam avaliar quais áreas do cérebro causam o TOC. "Nós sabemos que há um aumento de atividade em certas áreas dos cérebros de pacientes com TOC (...) mas o problema é que sabemos que há esse aumento de atividade, mas não sabemos se ela está causando os sintomas, ou se não tem relação ou poderia ser potencialmente algo que os pacientes com TOC estariam fazendo para tentar combater os problemas", diz Susanne Ahmari, da Universidade Columbia (EUA).

Ao estimular certas regiões cerebrais com luz, os cientistas descobriram que o comportamento não se intensificava imediatamente. Mas, após estimulações durante vários dias, o comportamento repetitivo progressivamente se intensificou e durou cada vez mais tempo. "O que estamos fazendo pode dar pistas de quais seriam bons alvos para tratamento, onde colocar os eletrodos (para o tratamento de estimulação elétrica no cérebro), e também nos daria ideias de quais frequências poderiam ser melhores nessa estimulação."

Fonte: Terra

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