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Cérebros da tropa do Bope serão estudados por neurocientistas

14 jul 2010
10h47
atualizado às 11h18

O Batalhão de Operações Especiais (Bope) é o grupo que trabalha sob alta pressão e estresse na Polícia Militar do Rio de Janeiro, em ações de extremo risco. Apesar do sofisticado treinamento de ação e da rápida tomada de decisões, ainda há lacunas que o projeto de pesquisadores do Departamento de Biociências da Atividade Física e do Laboratório de Mapeamento Cerebral e Integração Sensório-Motora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Instituto de Neurociências Aplicadas (INA) tenta preencher através da neurociência.

A ideia do grupo é evitar a repetição de incidentes graves, como o episódio recente em que um policial confundiu uma furadeira com um fuzil e atirou, matando o homem que a portava.

"São situações perfeitamente evitáveis com treinamento constante e eficiente", analisou o coordenador do projeto, Pedro Ribeiro. "O grau de fatalidade é baixo para o número de operações que executam".

O grupo trabalhou durante dois anos com o Bope, quando ainda estava sob o comando de tenente-coronel Alberto Pinheiro Neto. Com psicólogos especialistas em informática, o primeiro passo foi saber o dia a dia e as necessidades da tropa.

"A partir daí, avaliamos como uma abordagem neurobiológica poderia contribuir com o fator humano", explica o pesquisador. "No caso, procuramos compreender o funcionamento cerebral em situações específicas, como tomada de decisão, atenção em situações extremas e aspectos da memória para identificar fatores de risco".Treinando o cérebro
A psicóloga Bruna Velasques explica que, na tomada de decisões, policiais acessam de forma mais rápida e eficiente o banco de dados do cérebro para que se possa avaliar se há risco ou não na situação.

Nos treinamentos do batalhão, foram desenvolvidos simuladores simples que, por exemplo, medem o tempo de reação entre a percepção e a identificação de um alvo e o tiro.

Outro projeto maior, em conjunto com o major Clayton Amaral, da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO) do Exército, é um software de realidade virtual, em que é preciso discriminar, entre os vários elementos que aparecem num fundo, qual deles é o que oferece risco.

Os dispositivos atraíram a atenção dos snipers (atiradores de precisão). "A tecnologia e as neurociências têm muito a oferecer nesse campo", garante Ribeiro.

Jornal do Brasil Jornal do Brasil

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