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ONU: buraco na camada de ozônio se fechará até 2060

16 set 2010
16h11
atualizado às 19h17

A camada de ozônio, que protege a Terra dos raios ultravioleta, parou de se deteriorar e deverá estar amplamente restaurada em meados do século, graças a um veto em vigor há mais de 20 anos ao uso de perigosos produtos químicos, afirmaram cientistas das Nações Unidas esta quinta-feira.

Segundo o relatório "Avaliação Científica da Degradação da Camada de Ozônio 2010", o Protocolo de Montreal, tratado internacional firmado em 1987, que baniu o uso de clorofluorcabonos (CFC) - substâncias utilizadas em refrigeradores, sprays de aerossol e algumas espumas isolantes - foi bem sucedido.

Situada na estratosfera, a camada de ozônio é um filtro natural para os espectros perigosos dos raios ultravioleta emitidos pelo Sol, e que podem causar queimaduras, câncer de pele e danos à vegetação.

As primeiras constatações da existência de um buraco sazonal na camada de ozônio sobre a Antártida ocorreram nos anos 1970, e um alerta foi emitido nos anos 1980, com a descoberta de que o dano estaria piorando devido ao efeito dos CFCs, o que levou 196 países a firmarem o Protocolo de Montreal.

"O Protocolo de Montreal, assinado em 1987 para controlar substâncias nocivas à camada de ozônio está funcionando, nos protegendo de danos maiores nas últimas décadas", comemorou Len Barrie, chefe de pesquisas da Organização Meteorológica Mundial (OMM). "Em todo o mundo, a camada de ozônio, inclusive aquela na região polar, não está mais se degradando, mas ainda não está aumentando", disse Barrie a jornalistas.

Os 300 cientistas que compilaram o quarto relatório sobre a degradação da camada de ozônio, publicado anualmente, agora esperam que ela esteja recuperada aos níveis de 1980 entre 2045 e 2060, segundo o documento, "sutilmente mais cedo" do que eles esperavam.

Embora os CFCs tenham deixado de ser usados, eles se acumulam e persistem na atmosfera. Por este motivo, os efeitos da restrição a seu uso leva anos para serem sentidos.

Assim, o estudo alertou que o buraco na camada de ozônio no Polo Sul, que varia de tamanho e é monitorado de perto quando aparece todo ano, na primavera, ainda deve persistir por um tempo e pode ser agravado pelo aquecimento global.

Os cientistas ainda estão estudando os vínculos entre a degradação da camada de ozônio e o aquecimento global, explicou Barrie.

"Na Antártida, o impacto do buraco na camada de ozônio no clima superficial está se tornando evidente", afirmou.

"Isto gera importantes mudanças na temperatura da superfície e nos padrões de vento, entre outras mudanças ambientais", acrescentou. Os CFCs estão na lista de gases de efeito-estufa que causam o aquecimento global, assim seu banimento "trouxe benefícios indiretos substanciais no combate às mudanças climáticas", destacou o relatório.

Barrie estimou que as emissões evitadas destes gases tenham chegado a 10 gigatoneladas por ano.

No entanto, substâncias não nocivas à camada de ozônio, que foram adotadas em substituição aos CFCs em plásticos e refrigerantes - como os hidroclorofluorcarbonos (HCFCs) e os hidrofluorcarbonos (HFCs) - também são poderosos gases causadores de efeito estufa.

Os HFCs sozinhos são considerados 14 mil vezes mais perigosos que o dióxido de carbono (CO2), foco dos combates internacionais para controlar as mudanças climáticas, e as emissões destes gases crescem à taxa de 8% ao ano, segundo agências da ONU. "Isto representa um futuro campo potencial de ação no âmbito do desafio das mudanças climáticas globais", ressaltou, em um comunicado, o diretor do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Achim Steiner.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 

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